O Portugal de Lés-a-Lés é uma aventura anual mototurística que desde 1999 concilia a resistência física à vertente turística com o objectivo de cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Aquela que se tornou a maior caravana mototurística do mundo passou agora também a pontuar para o World Touring Challenge da FIM!

 
23º Portugal de Lés-a-Lés (2021)
De 2 a 5 de Junho de 2021

Muito mais que a N2

A edição 23 desta grande travessia vai ser uma fuga ao habitual desafio de "fazer a N2", com uma ligação entre dois extremos de Portugal que será um hino ao mototurismo, na descoberta dos 35 concelhos que fazem parte da Associação de Municípios da N2, das suas paisagens, gentes, património, gastronomia e história, sempre apoiados pela Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 e com os patrocínios da BMW Motorrad Portugal, BP, Viagens Abreu, NEXX, Via Verde e Dunlop.

A "N2" como nunca foi vista! Curiosos? Muitas novidades estão a ser preparadas para a grande aventura que decorrerá entre os dias 2 a 5 de junho! Inscrições abertas até 15 de Maio… se não esgotarem antes!

REPORTAGEM

Promessas de aventura x2

Em verdadeira fórmula de sucesso garantido, a Federação de Motociclismo de Portugal apresentou o 23.º Portugal de Lés-a-Lés, desvendando um percurso que oferece autêntico ‘dois-em-um’. De 2 a 5 de junho, entre Chaves e Faro, com paragens anunciadas em São Pedro do Sul e Abrantes, a grande maratona mototurística volta a atravessar o País com a novidade de, pela primeira e única vez, o fazer ao longo da cada vez mais procurada estrada Nacional 2, ajudando muitos a concretizar um duplo desejo. Novidades comunicadas durante uma sessão online onde o mote “Muito mais que a N2” foi sublinhado ao longo da minuciosa descrição de um trajeto que, sempre ao longo da antiga espinha dorsal do sistema rodoviário nacional, vai derivar muitas vezes, na descoberta de praias fluviais e miradouros, centros históricos e campos de batalha, castelos e outros monumentos.

Ou seja, para muitos que queriam cumprir os 738,5 km da 3.ª maior estrada do Mundo, a Comissão de Mototurismo da FMP juntou agora a possibilidade de o fazerem de uma forma ímpar, proporcionando ao mesmo tempo a presença num evento único como é o Lés-a-Lés. Uma travessia de Portugal Continental onde as monótonas autoestradas, as incaracterísticas SCUT ou os poucos interessantes Itinerários Principais e Secundários são preteridos em favor das mais pitorescas estradas nacionais e regionais ou mesmo de surpreendentes caminhos municipais. Ao todo, mais de 1000 quilómetros em 4 dias de puro prazer de condução e descoberta, num evento apoiado pela Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 e com os patrocínios da BMW Portugal, BP, Viagens Abreu, NEXX, Via Verde e Dunlop. E que já tem as inscrições abertas, exclusivamente no site www.les-a-les.com, prolongando-se até 15 de maio, mantendo-se o limite do pelotão nos 2000 participantes. Número que até poderá obrigar a fechar as inscrições mais cedo! E, como de costume, os primeiros a inscreverem-se, partirão na frente do grande, divertido, heterogéneo e animado pelotão.

 
22º Portugal de Lés-a-Lés (2020)
De 1 a 4 de Outubro de 2020
O mundo como o conhecemos mudou radicalmente, de forma difícil de categorizar. Mas há coisas que não mudam, e a nossa paixão pelas motos é uma delas. Obrigado a todos os colaboradores, patrocinadores e sobretudo a todos os participantes que acreditaram na nossa capacidade de fazer acontecer este memorável 22° LÉS-A-LÉS. A organização Lés-a-Lés e seus colaboradores esperam por vós na grande festa de aventura e descoberta que será o próximo Portugal de Lés-a-Lés!

A coragem de acreditar

A vitória da resiliência numa aventura sem igual permitiu levar a bom porto a 22ª edição do Portugal Lés-a-Lés.

Nunca, em 22 edições, foi tão genuíno e esclarecedor o sorriso dos participantes na chegada ao final do Portugal de Lés-a-Lés. As caras de satisfação e os comentários de todos os aventureiros foram, sem dúvida, o prémio mais saboroso para uma organização que, contra ventos e marés, teimou e conseguiu dar um sinal positivo aos motociclistas, criando as condições para que todos voltassem aos grandes passeios. Um evento bem diferente de todos os anteriores, com limitações e cuidados redobrados, mil cautelas e o respeito absoluto pelas normas em tempo de pandemia, mas que se saldou por um êxito tremendo.

Uma resposta positiva à coragem de Federação de Motociclismo de Portugal em colocar na estrada a grande maratona mototurística, traduzida não só na adesão como, mais importante, no cumprimento das regras sanitárias e de todas as indicações dadas ao longo do evento. Foram pouco mais de mil, cerca de metade de anos anteriores, mas divertiram-se por dez mil e nem a chuva, o vento, o nevoeiro ou todas as incertezas minimizaram o prazer, há tanto adiado, de passear de moto.

REPORTAGEM

22º Portugal de Lés-a-Lés revelado

Com muitas novidades, surpresas bem guardadas e a promessa de mais uma edição memorável, a apresentação oficial do 22º Portugal de Lés-a-Lés levou mais de 500 motociclistas à Figueira da Foz para o pontapé de saída de mais uma edição da grande maratona mototurística organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Dia bem empregue pelos muitos que se deslocaram ao Malibu Foz Hotel, tendo como anfitriões Manuel Marinheiro, presidente da FMP, e Fernando Cardoso, Chefe do Gabinete de Apoio à Presidência da edilidade figueirense, para ficar a conhecer os traços gerais de um percurso que regressa ao interior do País depois da inovadora versão litoral em 2019 bem como para concretizar a inscrição.

Oportunidade única para rolar na dianteira do heterogéneo e muito colorido pelotão que, uma vez mais, deverá ultrapassar as 2000 motos, rumo a aventura com arranque marcado para Lagos. Daquela que foi em tempos a mais importante cidade do Algarve, de onde partiram as naus e caravelas para dar novos mundos ao mundo, vão partir agora os aventureiros à descoberta de um Portugal diferente, pouco conhecido, longe das mais conhecidas rotas turísticas e sem tocar em auto-estradas, SCUT’s, Itinerários Principais ou Secundários. Demanda que começa logo a 1 de Outubro, com o Passeio de Abertura, curto de 65 quilómetros, a revelar tesouros do concelho lacobrigense, enaltecidos por Paulo Jorge Reis, vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos. Das grutas bem escondidas ao longo da costa e onde se chega apenas de barco ao ‘mercado dos escravos’, do Museu de Cera à Ponta da Piedade, para rumar ao centro de Lagos através de campos de golfe, ajudando a melhor perceber o contraste face aos dias seguintes.

De Lagos, junto aos baluartes da muralha, do mesmo local onde arrancou a edição de 2004, será dada também a partida para a 1ª etapa, no dia 2 de Outubro, que levará a caravana até à histórica cidade de Évora. Novidade guardada até à última hora, em tirada apresentada como «tranquila e bastante relaxada, com grande variedade de paisagens entre a serra de Monchique e as vastas planícies cerealíferas» cumprindo 300 quilómetros ao longo de cerca de 9 horas. Entre condução e paragens nos muitos Oásis, incluindo os muitos que a BMW Motorrad Portugal vai instalar, anunciados pelo novo Country Manager da marca, Rogério Mota, tempo para conhecer o Autódromo Internacional do Algarve subir ao alto da Foia, descobrir a barragem de Santa Clara-a-Velha onde o rio Mira é represado bem perto da sua nascente, e a barragem do Monte da Rocha. Mas também vilas incontornáveis do mapa alentejano como Messejana, Aljustrel, Alfundão, Ferreira do Alentejo ou Alvito, com tempo para ver o deslumbrante santuário de Nossa Senhora de Aires. Pontos altos de um dia que termina em cidade que foi declarada pela UNESCO como Património da Humanidade, com palanque instalado na monumental Praça de São Francisco.

Surpresas guardadas nas páginas do livro de todas as revelações

No dia seguinte, 3 de Outubro, o ‘road-book’, livro que vai revelando toda a riqueza do percurso, com a história dos locais atravessados e explicações sobre a fauna, flora ou etnografia locais, indicará o caminho entre Évora e a Guarda. Cerca de 370 quilómetros entre a Ebora Liberalitas Julia do tempo dos romanos até à cidade dos 5 F’s – forte, farta, fria, fiel e formosa – num dia que Cecília Amaro, vereadora da edilidade egitaniense antevê como ‘um passeio altamente até à cidade mais alta de Portugal.’ Vimieiro, Avis e o seu belo centro histórico, Vale do Açor, Gavião, Belver ou Mação são alguns dos pontos que ajudam a traçar o mapa do dia, com algumas surpreendentes curiosidades pelo caminho como a ribeira de Sume. Designação dada a um troço da Ribeira de Sor que, em determinada altura desaparece literalmente debaixo do solo (fica sumida ou sume-se) naquela que é uma das maiores grutas graníticas da Península Ibérica. Dia de contrastes com a passagem do Tejo, na ponte de Belver, construída em 1905, a funcionar como zona de transição entre o Alentejo e os pinhais e eucaliptais da região centro, fortemente atacados pelos incêndios dos últimos anos e onde é possível, com boa vontade e tempo, descobrir algumas das muitas casas de xisto que moldavam a imagem da região. Tempo ainda para apreciar a homenagem feita pelos motociclistas da pequena aldeia de Tinalhas, recordando o santo padroeiro dos motociclistas, Arcanjo São Rafael, e evocando a memória do Padre Zé Fernando, bem conhecido de toda a comunidade motard. Apoio espiritual para o resto da tirada por S. Vicente de Beira, atravessando o vale do Zêzere antes da subida para a Serra da Estrela, através de Unhais da Serra, com passagem pelos covões do Ferro e da Mulher antes da visita a Piornos e Manteigas em preparação para a chegada ao palanque montado junto aos Paços do Concelho.

Derradeiro dia do 22º Portugal de Lés-a-Lés, a ª etapa será a rainha da edição de 2020, com muitas curvas e sobe-e-desce constante ao longo de 350 quilómetros de paisagens grandiosas. Com muitos carvalhais, soutos e outras árvores autóctones e quase nada de eucaliptos, o dia começa com a descida a Pinhel onde o presidente da autarquia, o dinâmico e bem conhecido motociclista Rui Ventura, promete recepção à medida da grande aventura. Tempo de recordar sensações da visita à Anta de Pêro do Moço, de conhecer um castanheiro gigante ou visitar Pinhel, a ‘Cidade Falcão’ recentemente eleita como a Cidade do Vinho 2020. De vinhos e vinhedos muito se falará ao longo de uma jornada que passando o Vale do Coa, subirá à aldeia histórica de Castelo Rodrigo e depois a Barca d’Alva antes de descer até ao Douro Internacional. Freixo de Espada-à-Cinta, Mazouco, Mogadouro, barragem do Azibo, Podence e os famosos caretos que são Património Imaterial da Humanidade desde o ano passado, Torre Dona Chama e Segirei o outras visitas previstas antes de… internacionalização. Momento agendado para Fervenza da Cidadella já na província espanhola de Ourense em saltinho ibérico com regresso à Lusitânia a tempo de conhecer o fenómeno da pedra bolideira ou o abandonado castelo de Monforte de Rio Frio. Quase a completar o intenso périplo descerá então a caravana até à Aquae Flaviae dos romanos, rumo ao palanque final montado na histórica Ponte de Trajano, Chaves do contentamento de todos os aventureiros após três dias de viagem e descoberta pelas mais recônditas estradas nacionais e municipais desde Lagos. Com a certeza de que, em 2021, voltarão a Chaves para arrancar para mais uma edição do Portugal de Lés-a-Lés, rumo a terras algarvias.

Podendo ainda contar com a ajuda da Agência Abreu na marcação de estadia nas várias cidades-etapa, confirmada por Salvador Dagnino durante a apresentação, a segunda fase de inscrições decorrerá de 24 de Fevereiro a 1 de Setembro, através do site www.fmp.pt, página onde já é possível consultar o regulamento do 22º Portugal de Lés-a-Lés.regulamento do 22º Portugal de Lés-a-Lés.

Ainda a apresentação do 22.º Portugal de Lés-a-Lés

Quem foi (à Figueira)... ganhou!!!

Entre as centenas de motociclistas que se deslocaram à Figueira da Foz alguns saíram do Malibu Foz Hotel com redobrados motivos para sorrir! É que se todos tiveram direito a uma apresentação repleta de novidades e boa disposição, além de poderem garantir de imediato a inscrição no evento organizado pela Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal, alguns houve que foram bafejados pela sorte... de, simplesmente, marcarem presença.

É que alguns dos principais patrocinadores do Lés-a-Lés quiseram premiar a fidelidade daqueles que, ano após ano, não perdem a cerimónia da Apresentação Oficial, sorteando alguns prémios entre os presentes. Foi o caso da BMW Motorrad Portugal que ofereceu três kits especiais e muito completos para limpeza das motos, entregues pelo responsável máximo das 'duas rodas' em Portugal, Rogério Mota.

Um brilho especial para as máquinas que foi muito apreciado pelos vencedores tal como o novíssimo Nexx X.Vilijord prémio que muita atenção despertou em todos os presentes. Incluindo as personalidades que marcaram presença, dos 'anfitriões' Manuel Marinheiro, presidente da Federação de Motociclismo de Portugal, e Fernando Cardoso, Chefe do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ao vice-presidente da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Jorge Reis, à vereadora da Câmara Municipal da Guarda, Cecília Amaro. Que prometem uma receção à medida da grandeza da caravana de mais um Portugal de Lés-a-Lés.

E todos disseram presente!

Adiado de junho para o início de outubro, o Lés-a-Lés versão 2020 descobriu um Algarve bem diferente, com um tempo menos convidativo para uns banhos de mar, é certo, mas nem por isso menos interessante. A prova foi dada durante os 79 quilómetros do Passeio de Abertura, com passagem pelas históricas ruas de Lagos antes de um saltinho à costa lacobrigense, com tempo para desfrutar da imensidão atlântica a partir do novo passadiço da Ponta da Piedade. Mas também do areal e esplanadas da praia de Porto de Mós ou miradouro da Atalaia, de onde foi possível ver boa parte da costa finamente recortada, desde a praia da Luz até à ponta de Sagres. Paisagem soberba que se fez ‘cobrar’ com uma relaxante passeata pedonal até ao cimo da Rocha Negra, seguindo-se interessante visita à aldeia do Barão de São João onde os hippies dão um colorido especial e onde nem falta um Cristo de traços pós-modernos a tentar fugir da Cruz. Vá-se lá saber de quê

Mas nem só de costa vive a região algarvia, e a subida à Serra de Espinhaço de Cão fez questão de o recordar uma vez mais. Apesar da pouca altitude, sem nunca chegar aos 300 metros, revelou zonas bastante ventosas. Justificação lógica para uma vegetação tipicamente mediterrânica, paisagem predominante em direção à Barragem da Bravura, obra do Estado Novo para represar a Ribeira de Odiáxere que, nesta altura, pouca água recolhe. Do ponto mais a norte deste passeio, seguiu-se rumo ao mar, não sem antes dar um salto à... Escócia, aldeia que deu o primeiro cunho internacional à grande aventura. E que muito alegrou dois escoceses! Naturais de Edimburgo, Rob e Zayne Dagher assentaram arraiais em Pombal, há cerca de dois anos, dando seguimento a uma paixão de toda a vida. Criaram a Gusto Motorcycle que cria veículos exclusivos de três rodas, organiza passeios e representa a Ural, marca dos side-cars com que fizeram a estreia no Lés-a-Lés. No de estrada, porque no Off-Road já haviam participado em 2019, «para descobrir um País fantástico, belíssimo e com paisagens muito diversificadas. E gente tão acolhedora que dá vontade de regressar sempre». Claro que fizeram a foto junto à placa da pequena aldeia serrana e sentiram-se mais em casa. Tal como no dia seguinte, debaixo de chuva e nevoeiro em clima tão tipicamente escocês.

Depois, já no regresso à beira-mar, duas visões bem diferentes do Algarve, em perfeita complementaridade, com o que de mais puro e genuíno tem para oferecer, da história a tradições bem expressas no moinho de Odiáxere - propositadamente aberto para os participantes do Lés-a-Lés - até ao turismo, de vital importância na economia de toda a região. Aproveitando uma fantástica localização entre a Reserva Natural da Ria de Alvor e a Meia Praia, surge um conjunto residencial englobando um campo de golfe oferecedor de surpreendente harmonia entre os bem cuidados 'greens' e a vegetação autóctone. Além do mais com vistas fantásticas sobre o mar e toda a alvura de Lagos. Cidade que tão bem acolheu a caravana, oferecendo possibilidade de mais descobertas no Museu de Cera, na visita à caravela Boa Esperança, réplica daquela com Gil Eanes, famoso cidadão lacobrigense, dobrou o Cabo Bojador, ou no passeio de barco às grutas da Ponta da Piedade.

Nem o mau tempo roubou brilho ao 22.º Portugal de Lés-a-Lés

Sorrisos à chuva

Esmiuçado o concelho de Lagos, mesmo se muito ficou por descobrir, rumou a norte a caravana, com saída madrugadora daquela que foi a capital do Algarve entre 1573 e 1755, perdendo o estatuto ao ser arrasada pelo tristemente mais famoso terramoto em Portugal. Sem tremores de terra ou temporais bíblicos, mas com chuva que haveria de acompanhar a caravana durante boa parte de uma etapa curta, de apenas 286 km, mas bem variada, o dia começou com uma rápida passagem pelo Autódromo Internacional do Algarve antes do início da subida da Serra de Monchique, com subida ao alto da Fóia, juntando-se aqui o nevoeiro e, logo à frente, o vento forte. Diluía-se assim uma boa hipótese para desfrutar das fantásticas paisagens prometidas pelo detalhado e bem ilustrado road-book. Vá lá que D. Sebastião, que daqui partiu com a poderosa armada de 800 barcos rumo a Alcácer Quibir, não surpreendeu nenhum motociclista, aparecendo do meio de tão denso nevoeiro, montado no seu garboso cavalo.

Condições climatéricas que aumentaram a exigência de um início já de si bem trabalhoso, em algumas passagens no meio de quintais, através de pequenos troços de empedrado e até terra batida transformada em traiçoeira lama que valeu as primeiras quedas, pequenas e sem qualquer gravidade. Haveria de continuar o vento forte, a puxar uns aguaceiros repentinos e muito intensos, surpreendendo aqui e ali na travessia de um Alentejo diferente do que é habitual ver no Lés-a-Lés, com o verde a dar lugar ao castanho escuro das terras revolvidas em tempo de preparação das sementeiras cerealíferas.

Paisagem que servia de mote a etapa com final na Ebora Cerealis, um dos celeiros nos tempos de presença romana na Península Ibérica, mas que antes ofereceria importantes brindes a um pelotão internacional que juntou norte-americanos, alemães, brasileiros, gregos, venezuelanos, franceses e suíços aos já referidos escoceses e a muitos espanhóis. Da Corunha a Barcelona, de Cáceres a Miranda do Ebro, de Barcelona a Tuy, de Málaga e Bilbao, de Granada a Madrid, de Valladolid a Valência, de San Sebastian a Salamanca. Mas também muitos portugueses emigrados na Suíça, França, Luxemburgo, Bélgica e Inglaterra que não perdem oportunidade de melhor conhecer as belezas da Pátria-mãe.

Passada a intricada, por vezes labiríntica serra de Monchique, onde o prazer de condução é oferecido em estradas como a N266 que haveria de levar até à Barragem de Santa Clara e depois na N123, rumo a outra represa artificial, a do Monte da Rocha que segura a escassa água do rio Sado que nasce por ali perto, seguiu-se o Alentejo. Mudança natural nas paisagens e dificuldades exponenciadas para os maiores aventureiros, aqueles que ousam atravessar o País em pequenas máquinas de 125 cc. Como o Miguel, de Sintra, que ‘viu-se e desejou-se’ «para manter o ritmo e não perder o contacto nem atrasar o grupo» aos comandos da pequena mas resistente Honda PCX. Com uma moto mais potente, a estreante Susana, colega de equipa e também sintrense de gema, já com mais de 100 mil quilómetros de experiência, não escondia o prazer da aventura «que devia ser obrigatoriamente realizado por todos os motociclistas pelo menos uma vez na vida! É duro, mas revelador de um Portugal extremamente bonito e muitas vezes desconhecido». Como as Minas de Aljustrel, a surpreendente Capela do Calvário, em Ferreira do Alentejo ou a ponte romana de Alfundão. Descobertas para guardar na memória durante a paragem na bonita vila de Alvito, em mais um Oásis onde água e sumos acompanham mais uma sande ou outro petisco regional, seguindo-se a passagem por Viana do Alentejo e pelo imponente Santuário de Nossa Senhora de Aires, um dos mais importantes no Alentejo dedicados ao culto mariano construído durante toda a segunda metade do século XVIII.

E, finalmente, Évora. Ou melhor, o palanque de chegada, porque a verdadeira descoberta da única cidade portuguesa que faz parte da Rede de Cidades Europeias Mais Antigas foi feito a pé. Do templo romano que muitos conhecem como sendo de Diana aos cafés da praça do Giraldo, da Capela dos Ossos à Sé, muitos são os atrativos de um centro histórico que foi declarado Património Mundial pela UNESCO, em 1986.

Lés-a-Lés 2020 foi antídoto de eleição para os mototuristas

Mais dureza que revelou ainda mais beleza

O aviso já tinha sido dado na véspera. A partir da 2.ª etapa cresciam as exigências. Por força do superior número de quilómetros, mas também das estradas cada vez mais recurvadas à medida que se ia subindo no mapa nacional. A concentração e pontualidade eram altamente aconselhadas, perdendo o menos tempo possível com paragens desnecessárias para aproveitar o que realmente interessava. Como era o caso da parte final, na passagem pela Serra da Estrela.

Mas isso era apenas no final. Antes, na saída de Évora, temperaturas bem amenas, mesmo demasiado baixas para alguns participantes, próprias da época do ano, mas pouco usuais num Lés-a-Lés, que jamais fora realizado em outubro. As temperaturas podiam ser diferentes mas as estradas, essas não enganavam, com as longas retas ligando aldeias pontilhadas com casas brancas, de rodapés e molduras de portas e janelas em cores vivas. Como é o caso de Igrejinha, mesmo antes da chegada a Casa Branca onde Donald Trump não compareceu devido ao internamento hospitalar após ter testado positivo para o Covid-19. E como o respeito pelas normas sanitárias ditadas pelo DGS era imprescindível em defesa da saúde dos participantes, havia, pois, que arrepiar caminho até Aviz. O pequeno almoço, mudado do belíssimo centro histórico para o Oásis Honda – BP, podia ser saboreado logo à frente, nas margens da albufeira do Maranhão recuperando forças para apreciar a Ribeira de Sume, fenómeno geológico pouco depois de Vale de Açor, onde uma das maiores grutas graníticas da Península Ibérica faz com que as águas da Ribeira de Sôr desapareçam (ou sumam) durante 250 metros, debaixo daquilo que parece o leito seco de um rio.

Gavião e Belver foram, por seu turno, mais um prova evidente dos enormes cuidados no respeito pelas regras de distanciamento aconselhadas nesta fase, ditando a mudança de um Oásis e de uma visita ao castelo. Mas não obrigaram a alterar as espetaculares descidas para o rio Tejo e rumo à Ribeira de Eiras, onde a mudança de paisagem era cada vez mais evidente. Estradas muito interessantes em termos de condução, mas com um enquadramento por vezes deprimente, culpa dos incêndios que, ano após ano, queimam aquilo que parece já não poder arder. Estradas quase desertas, para desfrutar até chegar a Tinalhas e a um dos mais impressionantes Oásis do ano, montado pelo Moto Clube d’Atestar. Que fez questão de mostrar ao mundo a indelével homenagem à FMP e ao Lés-a-Lés gravada no granito, juntamente com a majestosa estátua do Arcanjo S. Rafael, designado em 2003, pelo Papa João Paulo II, como padroeiro dos motociclistas. E onde, além de deliciosa bifana, foi possível apreciar as grandes novidades para 2021 do catálogo de capacetes da NEXX.

Depois de um dia particularmente solarengo na travessia do Alentejo, a aproximação à Estrela fez reaparecer o temor da chuva, com as nuvens cobrirem a serra mais alta de Portugal Continental, antes mesmo da chegada a Unhais da Serra onde o Moto Clube da Covilhã - Lobos da Neve preparara excelente receção, condizente com o enorme entusiasmo que vêm mostrando em prol do motociclismo. Aconchego ao estômago em local muito agradável antes de atacar os quilómetros finais, rumo à Guarda, com promissora passagem pela Serra da Estrela.

E se muito prometia, mais cumpriu com espetacular passagem pelo vale glaciar da Ribeira de Altorfa, com direito a um pouco de off-road, subindo ao ponto mais alto deste Lés-a-Lés, a cerca de 1600 metros de altitude, antes de iniciar a descida para a Guarda. Viagem pela Nave de Santo António, passagem em Manteigas e continuação pelas N232, ao longo do rio Zêzere, e pela N18-1, estradas que não ficam nada atrás, em termos de espetacularidade e condução, das míticas Transfagarasan, na Roménia, a francesa Grand Corniche ou a austríaca GrossGlockner. Uma chegada à cidade mais alta de Portugal a fazer jus a um dos cinco F’s que a caraterizam, com muito Frio, para, ao jantar, nos mais diversos restaurantes, recordar outros dos F’s, de Farta.

E milhares de fotografias depois, final apoteótico do 22.º Portugal de Lés-a-Lés

Chegada triunfal a Chaves

Continuando a fotogenia do dia anterior, a 3.ª etapa partia cedo da Guarda, mas ainda a tempo de confirmar outro F, de Formosa. Voltaremos para atestar os epítetos de Forte e Fiel da antiga Oppidana, talvez com um tempo mais agradável que o desta despedida, obrigando a vestir os fatos de chuva para rumar a Pinhel, sempre com temperaturas bem baixas. Condições que desencorajaram a que se juntassem diversos participantes para, todos juntos e pelo menos em número de 9, conseguirem abraçar os quase dez metros do tronco do castanheiro gigante de Guilhafonso que conta, segundo dizem, mais de 400 anos de vida. Um dos maiores exemplares da Castanea sativa existente na Europa foi um dos primeiros atrativos de etapa muito fotogénica, que continuou com a anta da Pêra do Moço, monumento funerário do Período Neo-Calcolítico.

Maior animação em Pinhel onde, após a passagem pelo castelo, houve direito a reforço alimentar bem no centro da cidade Falcão, com o pequeno-almoço entregue sob olhar atento de uma ave de rapina à escala real… humana. Boa disposição materializada num boneco, vestido por uma voluntária, e que há mais de 700 anos representa a cidade beirã, estando mesmo presente no brasão concelhio, depois do título outorgado por D. João I e que os pinhelenses usam com orgulho. Momento histórico na Cidade do Vinho 2020-2021 antes de voltar à estrada, pela fantástica N221 em direção ao rio Côa, quando o sol já secava o asfalto e levava muitos participantes a despir os fatos de chuva. Paragem aproveitada para trincar uma peça de fruta ou uma sande com contorno paisagístico de eleição e onde nem faltou a visita de numeroso bando de grifos. Imagens bem diferentes dos dias anteriores na abordagem a Castelo Rodrigo, uma das 7 Maravilhas de Portugal no que às aldeias históricas diz respeito.

Do castelo à sede de concelho, Figueira de Castelo Rodrigo, a entrada no Parque Natural do Douro Internacional reforçou a mudança paisagística, bem apreciado no miradouro da Sapinha, com vistas desanuviadas sobre o rio Águeda no preciso local onde aumenta o caudal do Douro. Local de eleição para mais uma paragem, em Oásis estrategicamente colocado para permitir a internacionalização do Portugal de Lés-a-Lés, autorizando um saltinho a Espanha para o que bastava cruzar a ponte sobre o Águeda. Mas, numa etapa altamente fotogénica, muito mais estava por ver, começando nas imponentes escarpas que ladeiam o Ribeiro de Mosteiro, formação geológica de quartzitos com 450 milhões de anos, e continuando pelas marcas deixadas pelos romanos na região, como a pequena ponte e a Calçada de Alpajares ou Calçada do Diabo.

Para digerir tamanha imponência geológica e histórica, nada como umas curvas deliciosas, rumo a Freixo-de-Espada-à-Cinta, no regresso à rápida e bonita N221 que haveria de acompanhar a caravana até Mogadouro. Pelo meio, duas escapadas de ‘luxo’ através de algumas estradinhas municipais, mais lentas e contemplativas: a primeira para ver o Cavalo de Mazouco, por muitos apontada como a primeira gravura rupestre ao ar livre em toda a Europa; a segunda para vislumbrar o vale do Douro numa das suas vistas mais imponentes a partir do Miradouro do Carrascalinho.

Sempre com a N221 como linha orientadora, Mogadouro foi paragem para retemperar muitos estômagos mais carentes antes da descida ao Rio Sabor, com algumas nuvens ameaçadoras no horizonte, mas que, felizmente, haveriam de dar em nada. Já dentro do concelho de Macedo de Cavaleiros, nova paragem na albufeira do Azibo onde o moto clube local deu as boas-vindas ao Nordeste Transmontano, seguindo-se, poucos quilómetros adiante, a visita mais carnavalesca de todas, a Podence, cujos famosos caretos com que festejam o Entrudo são, desde fevereiro, Património Imaterial da Humanidade. De Macedo a Torre de Dona Chama, sempre por estradas secundárias bem interessantes, oportunidade para apreciar nova mudança de paisagem, com os grandes vinhedos do Côa a darem lugar a olivais e vinhas bem mais pequenas, dos produtores locais e destinadas, sobretudo, a consumo próprio. E com o sol a brincar as escondidas, ora aparecendo em força, ora dissimulando-se atrás de ameaçadoras nuvens negras, lá seguiu o pelotão para apreciar a famosa Berroa ou Porca (ou será uma ursa?) e o Pelourinho da vila do concelho de Mirandela cuja lenda aponta a origem do nome para a fundação por uma nobre senhora, Dona Châmoa Rodrigues. Que, conta a fábula, tinha um rosto tão bonito quanto feios eram os pés, que de defeituosos mais pareciam os de uma cabra.

Incólumes às ameaças de chuva e animados por ter Chaves cada vez mais perto, cumprindo a totalidade do percurso, algo que à partida muitos colocavam ainda em dúvida, os maratonistas viveram final espetacular, sempre junto à fronteira com Espanha, de beleza condizente com a excelente jornada mototurística que foi o 22.º Portugal de Lés-a-Lés. Na cascata de Segirei apreciando território de nuestros hermanos, tentando mover a famosa Pedra Bolideira ou fotografando o célebre marco zero da cada vez mais concorrida N2, os participantes iam dizendo adeus a evento único, com uma organização que encontrou imensas dificuldades para levar o evento a ‘bom porto’ mas que, finalmente, nas margens do Tâmega depois da passagem exclusiva pela ponte romana de Trajano, mereceu aplausos de todos. O adiamento desde junho para esta altura do ano, por força da pandemia que parou o Mundo, criou muitas dores de cabeça, é certo, mas deixou uma boa notícia:

É que só já faltam 9 meses para a próxima edição.

Foi um Lés-a-Lés com um sabor muito especial e isso foi notório na cara de satisfação de todos os participantes à chegada ao palanque no final de cada etapa. Em Chaves houve mesmo grandes momentos de emoção por parte de muitos participantes e em especial dos membros da organização que acreditaram sempre ser possível fazer um Lés-a-Lés nos tempos difíceis que atravessamos... e fez-se, com alguns condicionalismos mas... ESTÁ FEITO.... e, como em tudo na vida, foi o muito querer que o fez acontecer.

Obrigado a todos os elementos da organização e obrigado sobretudo aos muitos participantes que acreditaram na nossa capacidade de fazer acontecer este memorável 22° LÉS-A-LÉS.

 
5º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2019)
Vila Pouca de Aguiar - Pampilhosa da Serra - Coruche - Praia de Faro
De 2 a 5 de Outubro de 2019

Apontado pelos mais experientes como o mais exigente dos cinco Portugal de Lés-a-Lés realizados, a edição de 2019 teve o condão de transformar em sorrisos toda a dureza encontrada ao longo dos quase 1000 quilómetros de ligação entre Vila Pouca de Aguiar e a ilha de Faro, com passagem pela Pampilhosa da Serra e Coruche. Bem avisados, desde o primeiro momento, pelo presidente da Comissão de Mototurismo, António Manuel Francisco, «das dificuldades do percurso, exponenciadas pela escassez de chuva nos últimos meses e pelas elevadas temperaturas, contribuindo para tornar os pisos mais escorregadios e poeirentos, diminuindo a visibilidade e trazendo à tona muitas pedras». Dureza que conferiu valor acrescentado ao diploma entregue a todos os finalistas do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road e aumentou desejos de regressar em 2020.

REPORTAGEM

Caravana do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road ajuda na reflorestação

Festa começa em Vila Pouca de Aguiar

Sol e temperatura amena, animação e muita simpatia na receção em Vila Pouca de Aguiar aos mais de 350 motociclistas que, de quinta-feira a sábado, cumprem a 5.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal com percurso – maioritariamente em todo-o-terreno – na ligação até Faro, com passagem na Pampilhosa da Serra e Coruche. Maratona aventureira na descoberta de um País diferente, raro aos olhos da maior parte dos portugueses, com o compromisso maior de contribuir para a reflorestação das serranias lusitanas, fortemente afetadas pelos incêndios dos últimos anos.

Por isso, em dia de verificações técnicas e documentais, em pleno coração da vila transmontana, tempo para a ‘primeira etapa’ da 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, aposta forte do universo motociclístico na ‘educação’ das populações para a importância da plantação de árvores autóctones. Como a maior resistência a pragas e doenças face às espécies introduzidas bem como às chuvas intensas ou longos períodos de seca, regulando o ciclo da água e a sua qualidade. Árvores que ajudam a manter a fertilidade do espaço rural e o equilíbrio ecológico das paisagens, sendo local de abrigo, alimento e reprodução de grande número de espécies animais da fauna portuguesa, algumas delas em vias de extinção. Vantagens explicadas aos quase 300 alunos do Primeiro Ciclo do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, que ajudaram à plantação de um freixo (Fraxinus angustifolia) em pleno recreio. E, no meio da normal agitação dos mais petizes, a promessa de regressar no final de novembro, próximo do dia 23, Dia Nacional da Árvore Autóctone, aproveitando as condições climatéricas mais adequadas para entregar árvores a todos os alunos, professores e funcionários da escola para cada um plantar nos seus quintais e jardins.

Com ajuda do presidente da edilidade aguiarense, Alberto Machado, e da vice-presidente Ana Dias, foi dada aos miúdos uma interessante aula sobre a adaptação das árvores autóctones, falando do contributo para a redução do efeito de estufa, a maior resistência aos incêndios florestais complementada com a entrega de uma banda desenhada produzida especificamente para esta ocasião e contendo alguma informação mais ‘científica’ sobre as nossas espécies autóctones. ‘Aula’ com dupla repetição na quinta-feira, começando na Escola Básica D. Eurico Dias Nogueira, em Dornelas do Zêzere, às 11 horas e continuando, durante a tarde (15 h.), na Escola Básica Escalada (Escola Sede), ambas na Pampilhosa da Serra, onde serão plantados dois sobreiros (Quercus suber).

Etapas de importância maior na grande aventura mototurística que, no primeiro dia, vai levar a longa e heterogénea caravana até à Pampilhosa da Serra, ao longo de 350 quilómetros que terão na passagem pela desativada Linha do Corgo da CP, após Vila Real, na travessia do Douro Vinhateiro e na vista das imponentes paisagens da serra da Estrela alguns dos (muitos) pontos altos do dia. Pelotão recordista marcado pela forte internacionalização com 34 espanhóis – quase 10% do total de participantes – mas também com franceses, britânicos, italianos, alemães, austríacos, suíços, belgas, russos e ucranianos.

Da fria madrugada transmontana à dureza das serranias beirãs

Emoções para todos os gostos

Na primeira etapa da longa ligação que é o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, tempo para experimentar algumas das sensações prometidas pela Federação de Motociclismo de Portugal no mais aventureiro dos eventos mototurísticos em território nacional. Tempo para sentir as frias madrugadas outonais em terras transmontanas, da saída de Vila Pouca de Aguiar até às belíssimas paisagens escarpadas do rio Corgo, aproveitando a antiga linha de CP, agora desativada; ocasião também para transpirar nas difíceis subidas logo após a passagem do Douro, na Régua, cuja exigência impediu apreciar os vinhedos durienses, ou na Serra das Meadas, em Lamego; bem como para sentir a dureza acrescida pelo acelerada transformação do solo, com muita pedra solta que revela, ao longo de dezenas de quilómetros, as chagas causada pelos incêndios e pela plantação massiva de eucaliptais na zona centro.

Pelo caminho os mais de 350 participantes tiveram outras ‘surpresas’, do pequeno ribeiro, com fio de água que é reflexo fiel do período de chuva escassa mas com pedra escorregadia a exigir atenção redobrada, sobretudo para os condutores das motos maiores, até aos oásis criados pela FMP, em Moura Morta, e pela Jomoto, no Caramulo. Locais onde era possível matar a sede, comer fruta ou bem recheadas sandes, além de contar as primeiras peripécias da aventura que vai levar a grande caravana internacional até Faro. Ocasião ainda para relaxar um pouco e apreciar paisagens deslumbrantes, com passagem literalmente acima das nuvens nos longos estradões nos parques eólicos. Pistas onde José Gama pode apreciar a eficácia da Kawasaki ZX130 R, a scooter que é a mais pequena moto da 5.ª edição da longa travessia, em pelotão onde se misturam as grandes maxi-trails e as leves e ágeis enduristas: «um verdadeiro trator, com tração em todos os locais graças à embraiagem semiautomática e ao baixo peso, e que está aqui para demonstrar que esta é uma grande aventura para motos de todo o tamanho».

Aventura para todo o tipo de motos e de condutores, homens como mulheres. E que as algarvias Marta Sancho e Clara Andrade fazem questão de cumprir, «a um ritmo que permite apreciar as paisagens e ter grande diversão na condução em todo-o-terreno», como aconteceu nos belíssimos troços de Arganil e Góis. Mais à vontade nos técnicos troços das serras de Monchique e do Caldeirão, prometem «aproveitar cada quilómetro da aventura em prol de grande diversão e companheirismo», sobretudo na segunda etapa, entre Pampilhosa da Serra e Coruche, onde surgirão trajetos mais rápidos e menos massacrantes para as mecânicas como para o físico. Mas, para tratar destas maleitas, lá estão, no final de cada etapa, os mecânicos da Motoval e as terapeutas do Instituto de Medicina Tradicional, capazes de minorar as dores dos motociclistas, com massagens e outras técnicas de relaxamento e ‘reparação’ muscular.

Tanto mais que a viagem até terras algarvias ainda é longa, sendo sempre acompanhada pela 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, empenho da FMP e de todos os motociclistas na chamada de atenção para a importância da plantação de árvores autóctones. Depois do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar, logo no dia das Verificações Técnicas e Documentais, foi a vez da Escola Básica D. Eurico Dias Nogueira, em Dornelas do Zêzere, e a Escola Básica Escalada (Escola Sede), ambas na Pampilhosa da Serra, onde foram plantados dois sobreiros (Quercus suber). Primeiro passo antes do anunciado regresso em finais do mês de novembro, quando, aproveitando as condições climatéricas mais adequadas para plantar árvores autóctones, serão oferecidos exemplares de espécies locais a todos os alunos, professores e funcionários das escolas para cada um plantar nos seus quintais e jardins.

Travessia de Portugal em todo-o-terreno desvendou grande variedade de paisagens

Caravana a caminho do sol algarvio

Paisagens diversificadas, entre os verdejantes e frescos trilhos à saída da Pampilhosa da Serra com passagens junto ao rio Zêzere, aos troços de areia em pleno Ribatejo, mesmo antes da chegada a Coruche, passando pelos poeirentos e pedregosos caminhos da zona de Pedrogão Grande e Vila de Rei, massacrada pelos incêndios, marcaram a segunda etapa do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road. Com exigência ampliada pelas temperaturas nada outonais, antes de um bom dia de verão, foram constantes os sorrisos dos mais de 350 participantes que aceitaram o desafio lançado pela Federação de Motociclismo de Portugal. E, sempre com a mítica N2 por perto, tempo para variar entre os trilhos de todo-o-terreno e as deliciosas curvas da Estrada Património, a mais longa de Europa. Que o diga Rita Vieira, que, ainda com a participação no Trial das Nações bem viva na memória «não podia deixar de aceitar o convite da Yamaha para marcar presença num evento aliciante, sem qualquer tipo de competição e onde o maior desafio é mesmo apreciar as paisagens de um Portugal tão variado e diferente do que estamos habituados a ver quando viajamos apenas pelas autoestradas». Aos comandos da novíssima Yamaha Ténéré 700, a campeã nacional de trial e de enduro e bicampeã mundial de Bajas (2014 e 2015) estranhou, «apenas um pouco, a diferença de peso para a WR250 F» que utiliza no Nacional de Enduro, «numa moto que tem um motor fantástico, muito dócil e fácil de utilizar, encaixado numa ciclística que parece ter sido feita mesmo à medida deste evento».

Bem ao contrário da surpreendente Harley-Davidson «criada a partir do modelo 883 de 2001» e modificada por Saul Rodrigues «apenas com recurso peças originais da marca». Máquina que, contra muitas expetativas, «ultrapassou sem dificuldades de maior todos os obstáculos, do piso bastante massacrante ao longo de muitos quilómetros como da areia na parte final do dia». Vá lá que os ‘Oásis’ instalados pela FMP em Vila de Rei e pela Honda, em Ponte de Sor, ajudaram os mototuristas a recuperar forças e lutar contra o calor, seguindo viagem de forma rejuvenescida.

Paralelamente ao evento turístico que percorre o País de norte a sul, a 3.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés voltou a marcar presença junto dos mais jovens alunos das cidades e vilas visitadas pela caravana internacional. Agora foi a vez da Escola Básica e Jardim de Infância da Erra, em Coruche, onde meia centena de alunos ajudou na plantação simbólica de um pinheiro-manso (Pinus pinea), reforçando ‘estatuto’ Eco-Escolas, com uma participação bastante ativa em ações de reflorestação.

Com final marcado para amanhã, sábado, na Praia de Faro, o 5.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road vai render sentida homenagem ao malogrado motociclista Fernando Almeida, grande apaixonado pelo mototurismo e forte dinamizador do motociclismo em terras algarvias, a cuja família e amigos a Federação de Motociclismo de Portugal endereça as mais sentidas condolências.

Maior aventura do TT nacional terminou em Faro

Sorrisos em resposta às dificuldades

Apontado pelos mais experientes como o mais exigente dos cinco Portugal de Lés-a-Lés realizados, a edição de 2019 teve o condão de transformar em sorrisos toda a dureza encontrada ao longo dos quase 1000 quilómetros de ligação entre Vila Pouca de Aguiar e a ilha de Faro, com passagem pela Pampilhosa da Serra e Coruche. Depois das íngremes subidas em terras transmontanas e durienses e do calor que ampliou as dificuldades dos pedregosos pisos beirões no segundo dia, a 3.ª etapa do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal ofereceu percurso mais rolante e menos massacrante em termos físicos.

Mesmo se os longos e rápidos estradões alentejanos foram enquadrados por algumas passagens em areias ribatejanas, ainda na parte inicial, e pela tecnicamente exigente mas sempre divertida serra algarvia, já nos derradeiros quilómetros. Dia que começou bem cedo em madrugada muito fresca, com a mistura entre pó e nevoeiro a esconder paisagens bem bonitas e a criar acrescidas dificuldades na condução até Viana do Alentejo, dissimulando ainda algumas das armadilhas escondidas nos pisos arenosos, motivo de umas quantas quedas.

Ponto de paragem, o primeiro do dia, onde a Yamaha ajudou os resistentes aventureiros a recuperar as forças, antes do verdadeiro Alentejo onde vacas, ovelhas e outros animais se mostraram pouco incomodados pelo som dos motores de todo o tipo de motos. Como a improvável Triumph Street Scrambler, nunca antes vista nestas andanças, com que o lisboeta Paulo Mainha Cruz decidiu cumprir «a estreia absoluta em todo-o-terreno, bem como a navegar, com resultado surpreendente, chegando ao final sem problemas de maior». E se, «nas subidas do primeiro dia ou nos longos troços de areia da 2.ª etapa custou um bocadinho», já na derradeira tirada «tudo correu muito melhor, sobretudo na serra algarvia, mais técnica em termos de condução e bem entremeada com ligações em asfalto que permitiam descansar os braços». Juntamente com o ‘compagnon de route’ Pedro Verde, na pequena Mash 125, chegou sorridente a Faro mesmo se bem necessitado do apoio terapêutico das técnicas do IMT – Instituto de Medicina Tradicional. Que, depois de três dias de tamanha solicitação, muitos sorrisos devolveram às mais de três centenas de participantes que completaram esta maratona mototurística, ganhando motivação acrescida pelo final bem junto à praia, em dia de temperaturas não muito longe de veraneantes 30 graus centígrados.

Prémio mais que merecido para todos os que aceitaram o desafio da FMP, bem avisados, desde o primeiro momento, pelo presidente da Comissão de Mototurismo, António Manuel Francisco, «das dificuldades do percurso, exponenciadas pela escassez de chuva nos últimos meses e pelas elevadas temperaturas, contribuindo para tornar os pisos mais escorregadios e poeirentos, diminuindo a visibilidade e trazendo à tona muitas pedras». Dureza que conferiu valor acrescentado ao diploma entregue a todos os finalistas do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road e aumentou desejos de regressar em 2020.