O Portugal de Lés-a-Lés é um evento anual mototurístico que desde 1999 concilia a resistência e aventura à vertente turística com o objectivo de cruzar Portugal de extremo a extremo contemplando paisagens e lugares de enorme esplendor. Aquela que se tornou a maior caravana mototurística do mundo passou agora também a pontuar para o World Touring Challenge da FIM!
5º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2019)
Vila Pouca de Aguiar - Pampilhosa da Serra - Coruche - Praia de Faro
De 2 a 5 de Outubro de 2019
 

Estão oficialmente abertas as inscrições para o 5º Portugal de Lés-a-Lés Off Road! A grande aventura/maratona nacional do “off-road” em 2 rodas vai acontecer nos dias 2, 3, 4 e 5 de outubro de 2019. Dia 2: Check-In dos participantes em VILA POUCA DE AGUIAR; Dia 3: 1ª Etapa VILA POUCA DE AGUIAR / PAMPILHOSA DA SERRA; Dia 4: 2ª Etapa PAMPILHOSA DA SERRA / CORUCHE; Dia 5: 3ª Etapa – CORUCHE / FARO (Praia de Faro). Este evento será uma vez mais composto por 3 etapas de cerca de 300 kms cada, uma verdadeira oportunidade de aventura e convívio onde terão que pôr em prática as técnicas de condução fora de estrada que o todo-o-terreno exige, sem contudo deixar de poder desfrutar da tranquilidade e do ambiente turístico inerentes à facilidade do percurso. As inscrições são limitadas 300 participantes e vão manter-se abertas até dia 15 de setembro, ou antes dessa data, caso se esgotem. O valor da inscrição não se alterou; 275 euros com oferta do “Cartão de Motociclista da FMP” – quem já for possuidor do cartão e este esteja válido à data final do evento tem um desconto de 25 euros sobre o valor da inscrição. Podem inscrever-se aqui clicando em "INSCRIÇÃO" ou presencialmente nas instalações da FMP.

21º Portugal de Lés-a-Lés (2019)
De 9 a 12 de Junho de 2019
O Lés-a-Lés agradece o importante apoio e participação de: CÂMARAS MUNICIPAIS: Felgueiras - Vila Verde - Esposende - Vila do Conde - Murtosa - Figueira da Foz - Marinha Grande - Nazaré - Caldas da Rainha - Arruda dos Vinhos - Benavente - Alcácer do Sal - Sines - Odemira - Vila do Bispo - Lagos // JUNTAS DE FREGUESIA: Airães - Vila de Prado - Costa Nova - Salir do Porto - Stº Estevão // MOTOCLUBES: FelRoad - Porto - Guimarães - Barcelos - Prado - Esposende - Estarreja - Coimbra - Marinha Grande - Torres Vedras - Ocidente - Arruda dos Vinhos - Stº Estevão - Albufeira - Lagos // E AINDA: Marina da Afurada - Forte de São Miguel Arcanjo

Cumprindo promessa de ser a mais costeira das 21 edições do Portugal de Lés-a-Lés, a grande maratona mototurística que, de 9 a 12 de junho ligou Felgueiras a Lagos. Figueira da Foz e Arruda dos Vinhos foram palco da chegada da 1.ª e 2.ª etapas e, naturalmente, da partida para o dia seguinte no evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal. Percurso a rondar os 1200 quilómetros de extensão e quase totalmente desenhado junto ao oceano Atlântico, naquele que é o maior evento mototurístico da Europa, com os 2000 participantes a totalizarem cerca de 2,5 milhões de quilómetros. E isto sem contar com as deslocações para o local de partida e o regresso a casa! Com três etapas e o Passeio de Abertura pelo concelho de Felgueiras, o 21.º Portugal de Lés-a-Lés proporcionou 35 horas de puro mototurísmo, em trajeto que permitiu a descoberta das paisagens e património, da gastronomia e das gentes, de norte a sul do mapa continental.

REPORTAGEM

Surpresas - e grandes! - na apresentação oficial do 21º Portugal de Lés-a-Lés, no dia em que foi desvendado o percurso que de 9 a 12 de Junho vai ligar Felgueiras a Lagos. A cidade algarvia foi uma das novidades reveladas na cerimónia que decorreu na Figueira da Foz, que também acolherá o final de uma etapa, a primeira, com ligação desde Felgueiras. Num percurso quase integralmente desenhado junto ao oceano Atlântico, o maior momento de admiração foi o anúncio de Arruda dos Vinhos como ponto final da segunda etapa. Afastada da costa, é certo, mas verdadeira porta de entrada rumo à descoberta do estuário do Tejo na edição 2019 da grande aventura que, quando não andar junto ao mar, estará a descobrir rios e ribeiros, espelhando não só a missão de dar a conhecer os recantos mais discretos do País como a preocupação ambiental da Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal.

Anfitrião da apresentação do mais costeiro Lés-a-Lés de sempre, João Ataíde, presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, não escondeu grande satisfação, «…tal como todos os figueirenses, em receber a grande caravana e mostrar o muito que a Figueira da Foz tem de interessante. E que é, realmente, muito!» Promessas de uma recepção condizente com a animação esperada no final da segunda etapa, no dia 10 de Junho, o mesmo acontecendo no dia seguinte, em Arruda dos Vinhos. Vila que o presidente da autarquia, André Rijo, garantiu que «…vai crescer para acolher, com amizade e carinho, todo o enorme pelotão do Portugal de Lés-a-Lés». Garantias sublinhadas por outras entidades diretamente envolvidas no evento, como a Câmara Municipal de Felgueiras e do motoclube Felroad, representado pelo seu presidente Luís Mendes, ou a Câmara Municipal de Esposende que, através do seu vereador do pelouro do Desporto, Rui Losa, desvendou que «…a recepção em terras esposendenses será de molde a deixar todos os participantes com vontade de voltar para descobrir, ao pormenor, todas as maravilhas do concelho.» Numa cerimónia dinâmica e muito envolvente, presença notada dos patrocinadores e apoiantes do Portugal de Lés-a-Lés, da BMW à BP, passando pela Dunlop, Touratech, Agência Abreu e NEXX, com esta a proporcionar um momento de enorme expectativa, com o sorteio de um capacete modular, o NEXX Villitur, entre os muito presentes no salão do hotel figueirense.

Evento mototurístico que é o maior da Europa, cumprindo cerca de 2,5 milhões de quilómetros – sem contar com as deslocações para o local de partida e o regresso a casa! – e que tem grandes preocupações ambientais. Assim, depois do contributo para reflorestação das áreas ardidas em 2016 e 2017 com distribuição de árvores autóctones e forte campanha de sensibilização efectuada em 2017 e 2018, a edição de 2019 será palco da divulgação do Projeto Rios+. Iniciativa que aposta na chama de atenção das populações mas, sobretudo, das autarquias, proprietários e empresas locais para a preservação e requalificação das linhas de água.

Ocasião também, num Domingo verdadeiramente primaveril, para garantir um lugar na heterogénea caravana, com as primeiras inscrições efectuadas logo após a apresentação no Grande Hotel da Figueira. Momento aproveitado por mais de meio milhar de motociclistas que, assim, garantiram o arranque para cada uma das etapas na dianteira do pelotão que, por questões de segurança e qualidade do evento, é limitado a 2000 mototuristas.

Felgueiras pronta para festa rija

A cidade de Felgueiras acolhe o arranque do Portugal de Lés-a-Lés 2019.

Já mexe a maior aventura mototurística da Europa! Se, a partir de Sábado, todos os caminhos vão dar a Felgueiras, destino de mais de 2000 motociclistas, a verdade é que, na Capital do Calçado já se trabalha para um arranque perfeito do 21º Portugal de Lés-a-Lés. A preparação dos materiais a entregar aos elementos das 907 equipas, nomeadamente o mais extenso ‘road-book’ de sempre, com 71 páginas cada, em total superior a 700kg de papel, ocupa duas dezenas de elementos de clubes, nomeadamente do local Felroad, e da Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal, elementos que não se poupam a esforços para que, na manhã de Domingo, a partir das 9 horas, tudo esteja pronto para as Verificações Técnicas e Documentais na muito agradável Praça Doutor Machado de Matos, disponibilizada e engalanada pela Câmara Municipal de Felgueiras. Depois, e enquanto os primeiros participantes arrancam para o Passeio de Abertura, outros, as equipas com números mais altos, continuarão a comprovar as boas condições de circulação das suas motos, imprescindível para máxima segurança ao longo dos 1255 quilómetros do evento que, multiplicados pelas mais de 1900 motos inscritas, acumulam 2,4 milhões de quilómetros. Sem contar com a ida até ao local de partida e o regresso a casa…

Esta praça será, aliás, palco de toda a acção ao longo do fim-de-semana, onde terão lugar as verificações, mas também onde estarão os espaços dos patrocinadores BMW, BP, Dunlop, NEXX, Touratech e Agência Abreu, além da presença de apoiantes como a Brisa, Ducati, Yamaha, Suzuki ou Kawasaki entre outras e, não menos importante, onde estará instalado o palanque do qual serão dadas as partidas para o Passeio de Abertura, no Domingo, e para a 1º etapa, na madrugada de segunda-feira.

Música, muita música, e os golos da seleção de todos nós

No local haverá ainda palco especial, no qual atuarão os Fly Tribute U2, às 22 horas de sábado, seguindo a festa com diversos DJ’s, enquanto no Domingo, a partir das 19h45m, será possível assistir, em ecrã gigante e ambiente único, à Final da Liga das Nações, em jogo de enorme expectativa que opõe Portugal e Holanda. Além de ali estarem instaladas muitas tasquinhas onde é possível ir ‘mordendo’ qualquer coisa, para compor o estômago e afastar os nervos e para descontrair, mais tarde, a partir das 22 horas, com concerto protagonizado pelo grupo Sons do Minho.

Mas isto só depois de um muito promissor Passeio de Abertura que, ao longo de 70 quilómetros promete enorme surpresa, mostrando imensos pontos de interesse arquitetónico, paisagístico e histórico, estilhaçando o mito de que Felgueiras é concelho limitado a instalações fabris vocacionadas para o têxtil e calçado e unidades industriais de outras áreas. E que vai deixar saudades quando a enorme caravana internacional de despedir rumo a Lagos, onde chega no dia 12 de junho, quarta-feira, não sem antes parar na Figueira da Foz e Arruda dos Vinhos.

Surpresas naturais em Felgueiras

No arranque da sua 21ª edição o Portugal Lés-a-Lés percorreu a Rota do Românico.

Conhecida como Capital do Calçado, Felgueiras mostrou, durante o Passeio de Abertura do 21º Portugal de Lés-a-Lés, ser muito mais que o somatório de inúmeras unidades fabris num dos mais produtivos pólos industriais do País. Aos mais de 2.100 motociclistas que participam na maratona mototurística organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal, revelou ser terra de entusiasmo, dinamismo e empreendedorismo e onde existem belezas naturais, arquitetónicas e históricas que deram outro sabor ao aperitivo para a grande aventura, ao longo de 70 quilómetros em plena Rota do Românico. Mas onde não faltaram pontes e ruínas romanas, igrejas e mosteiros, motos antigas e Ferrari.

Ao longo de meia-dúzia de horas, de tranquilidade e diversão, com nada menos de 11 paragens para visitas, literalmente para todos gostos, revelou-se um passeio com duas fases distintas, começando pela parte industrial e vinhateira, seguindo depois para norte, desfrutando das paisagens mais verdes e oxigenantes na bacia do rio Vizela. Tudo num dia que contou com forte apoio Câmara Municipal de Felgueiras e dos entusiastas sócios do Felroad, jovem motoclube local, onde a caravana visitou alguns dos 58 monumentos referenciados na Rota do Românico como a Igreja de São Vicente de Sousa, datada de 1162 e monumento nacional desde 1977, a Igreja do Salvador de Unhão, de 1165, ou o imponente Mosteiro de Pombeiro, o mais notável mosteiro beneditino no norte do País, fundado em 1059, no cruzamento de duas importantes vias medievais, acolhendo reis e peregrinos ao longo de séculos.

Património histórico a merecer regresso com mais tempo para apreciar, por exemplo, os caixotões que cobrem o altar da Igreja de S. Vicente, datadas de 1694, com 20 pinturas que retratam a vida de S. Vicente, desde o momento em que foi ordenado diácono até à feroz perseguição e tortura pelos soldados romanos, sendo depois de morto, ao descansar numa cama e sem nunca se converter aos deuses pagãos dos romanos, lançado a um pantanal que deveria acelerar a decomposição para evitar que os cristãos recolhessem as suas relíquias. Mas, diz a lenda, que o corpo não se decompôs e foi sempre guardado por um corvo – o mesmo que aparece no brasão de Lisboa, de que S. Vicente é padroeiro – continuando a história, contada por José Augusto Costa, com o lançamento do corpo ao Mediterrâneo pelos muçulmanos que tomaram Valência. Mas o cadáver do santo chegaria a boiar ao Cabo de Sagres, que passaria a chamar-se de S. Vicente, tendo as suas relíquias chegado muito mais tarde a Lisboa, com a nau que transportava o corpo a aportar àquela que é agora a freguesia de S. Vicente de Fora, tornando-se padroeiro da cidade por ordem de D. Afonso Henriques, em 1173, mais de 800 anos depois de ter morrido.

Um museu do outro mundo e a surpresa de andar de moto… dentro de uma fábrica

Tempo ainda para uma paragem mais demorada junto à robusta Igreja de Santa Maria de Airães, do início do século XIII, verdadeiro ex-libris da de Airães cuja Junta de Freguesia proporcionou o primeiro dos Oásis que, ao longo de todo o País, vão ajudar os participantes a mitigar o esforço, a sede e a fome, com paragens estratégicas. Outro Oásis deste Passeio de Abertura foi montado na unidade industrial da Irmalex, maior fabricante nacional de painel sanduiche, coberturas climatizantes para casas, fábricas e pavilhões, com direito a deliciosa sanduíche… comestível – de porco no espeto – a juntar à muita doçaria e à actuação da banda Fulltrack de Famalicão, além de inédita visita à maior fábrica nacional do ramo, em cima da moto, com 10 mil metros quadrados de área e mais de 3 milhões de metros de painel produzidos anualmente! Momento ímpar proporcionado por Júlio Martins, que além de empresário de sucesso é apaixonadissimo motociclista, tal como o foi a visita ao Museu de Motos Antigas de José Pereira, onde muitas, mas mesmo muitas centenas de máquinas restauradas – dizem que é o mais recheado do Mundo – fizeram as delícias de todos, ou a passagem pelo Stand Terror, o maior vendedor de Ferrari em Portugal, com mais de 300 unidades seminovas e impecáveis entregues nos últimos anos.

Mistura entre o profano e o sagrado no evento apoiado pela BMW, BP, Dunlop, NEXX, Touratech e Agência Abreu, que continuaria com a visita à Igreja de Santa Quitéria, santuário que é verdadeira sala de visitas felgueirense, erigido no local onde se crê ter sido enterrada a mártir com o mesmo nome, que, em 135 DC foi mandada executar pelo pai, quando tinha 15 anos, por não aceitar o acordo para o casamento com um cortesão. E onde elementos do Moto Clube do Porto montaram o primeiro controlo de passagem sob o signo do ‘saco azul’, triste estória que colocou Felgueiras nas aberturas de muitos telejornais… De história mais sólida e terrena, as importantes pontes da Veiga, construída no séc. XIV sobre o Rio Sousa ou a ponte romana do Arco, sobre o Rio Vizela, ladeado de belíssimas casas medievais a pedir urgente recuperação. Além da Villa Romana de Sendim, onde simpáticas arqueólogas desvendaram história com mais de 1700 anos daquela que foi uma abastada quinta agrícola. Ou da Quinta da Lixa, onde foi possível saborear um dos mais famosos vinhos verdes de Portugal, com capacidade de engarrafamento de 9000 garrafas por hora (!) em linha de produção que exigiu 1,5 milhões de euros de investimento. Provar o vinho do maior produtor da região, elaborado com castas dos 105 hectares das vinhas locais mas também das catas Avesso, de Resende, e Loureiro, oriunda de vinhedos de Braga, mas sem exageros porque havia que chegar a Felgueiras a tempo da Final da Liga das Nações, onde grandes eram as expectativas que rodeavam o desempenho da Seleção Nacional.

Pão de ló, de Margaride, para adoçar a alma e mãos milagrosas, dos técnicos do IMT, para recuperar o corpo

Momento preparado com o mais emblemático doce regional, o Pão de Ló de Margaride, fabricado segundo receita secreta de Clara Maria e sempre no mesmo local desde 1730. Tempo mesmo para visitar a cozinha, inalterada desde o ano de 1888, altura em que, graças ao empenhado e entusiasmante trabalho de Leonor Rosa da Silva, foi nomeada Fornecedora da Casa Real Portuguesa. Depois, tempo para o futebol, com o resultado que se conhece, e para o concerto com a banda Sons do Minho que animou as hostes até bem depois da meia-noite. E só não durou mais porque era tempo de descansar já que a primeira etapa da longa maratona até Lagos, que levaria a caravana até à Figueira da Foz, sempre pelo litoral no mais costeiro Lés-a-Lés, tinha partida madrugadora, com saída às 6 horas para as primeiras equipas. E passagens por Póvoa de Lanhoso, Vila Verde, Prado, Esposende, Vila do Conde, Matosinhos, Porto, Ria de Aveiro, Murtosa, Aveiro até à Figueira da Foz onde os primeiros chegaram por volta das 17 horas, seguindo-se animada e colorida procissão (como em todos os locais…) com mais de 5 horas de extensão.

Mais de 2000 mototuristas iniciam grande aventura anual ligando Felgueiras à Figueira da Foz

Desde o verde Minho por terras de pescadores

Eram precisamente 6.00 da madrugada, ainda fresca, e já Felgueiras aquecia com o arranque da 1.ª das 907 equipas inscritas no 21.º Portugal de Lés-a-Lés, em animada procissão de partidas, à cadência de 6 motos por minuto, que se prolongou para lá das 11 horas, já o sol ia alto, prometendo um dia bem quente. Jornada que se confirmou de excelência, a começar pelo tempo, com temperaturas de 20.º na ligação até à Figueira da Foz e céu muito claro, sem qualquer nuvem, excelente para a prática da modalidade, e sempre com o Oceano Atlântico como companhia. Depois, claro está, da ligação até à orla marítima porque, como se sabe, Felgueiras fica a uns quilómetros do mar. Passeio matinal através do verdejante Minho, com surpreendentes estradas que a Federação de Motociclismo de Portugal escolheu para reforçar toque turístico do evento que, ano após ano, desde 1999, junta centenas e depois milhares de motociclistas na ligação entre norte e sul do País. E com paragens em Oásis de diversão acrescida e reconforto gastronómico, solidariedade reforçada e novas amizades. Caravana com mais de 1900 motos, transportando 2115 motociclistas, incluindo mais de duas centenas de estrangeiros. De Espanha chegou o maior contingente – 159 participantes – de uma babel composta por norte-americanos, canadianos, ucranianos, alemães, húngaros, suiços, ingleses, franceses, italianos, gregos, croatas e belgas.

Pequeno almoço real em S. Torcato

Da Capital do Calçado rumou a norte a enorme caravana internacional, aproveitando as paragens no santuário de São Torcato, no castelo de Póvoa de Lanhoso ou na praia fluvial de Adaúfe, para comer o primeiro de vários reforços ao pequeno-almoço entregue pela organização em Felgueiras. Momentos para digerir - além de requintada lista de doçaria, sanduíches, sumos, enchidos, café, e muitas outras ao nivel de hotel de 5 estreslas... - as primeiras emoções de uma viagem sempre ladeada por paisagens verdejantes, da descida ao Rio Vizela à sinuosa subida a Guimarães. Mas passando ao lado da histórica cidade em direção a S. Torcato e ao enorme templo cuja demora na construção justifica a profusão de estilos, do neoclássico, gótico, renascentista e romântico. Espaço onde o MC Conquistadores de Guimarães montou espetacular controlo de passagem, superando mesmo o elevado nível da produção apresentada em 2018 no castelo de Montalegre. Depois da uma boa mão-cheia de agradáveis curvinhas, a primeira grande surpresa do dia levou muitos participantes a esfregar os olhos de espanto, tal era o 'teatro' armado pelos Conquistadores. Estariam bem acordados? Um controlo que, sem exagero e antes a pecar por defeito, fica na história do Lés-a-Lés, com príncipes e princesas, serviçais e feirantes, ciganos e bispos, emigrantes preparados para fugir 'a salto' da miséria que grassava em Portugal na década de 1960, um quarto de dormir decorado a preceito segundo os cânones de outros tempos, com toda a família em pijama e até o penico. E sem esquecer o temível Zé do Telhado que, armado de imponente pistolão, ditava leis para um estacionamento perfeito das muitas motos que ali se acumularam.

Terra de fortificação é também a Póvoa de Lanhoso, assente no maior monólito da Península Ibérica, com a pequena vila minhota famosa também por ser o berço da Revolta da Maria da Fonte, quando, em 1846, os populares, liderados por desassombrada mulher, se insurgiram contra o governo que, alegando razões de saúde pública, proibiu a sepultura de mais mortos dentro da igrejas. Mulher de armas como as muitas minhotas que, durante décadas, impulsionaram a indústria têxtil que deu novo significado ao Vale do Ave. Rio que, nascendo na Serra da Cabreira, foi acompanhado pelos participantes em boa parte dos 94 quilómetros de extensão, com direito a passagem pela foz, em Vila do Conde.

Mas, enquanto não chegavam as ondas do oceano, tempo para apreciar as importantes linhas de água como o Rio Homem, que apesar de curto de 39 km desde a nascente na Serra do Gerês, bem perto da fronteira, e de represado na Barragem de Vilarinho das Furnas, tem forte caudal ou não fosse oriundo da zona mais pluviosa de Portugal. Rio que é um dos três que atravessa o enorme concelho de Vila Verde (os outros são o Cávado e o Neiva), onde não falta montanha, vales de verdejantes veigas e muita… indústria. Claro que, em Minho de muitas surpresas, um ponto haveria de merecer exclamações de espanto, a Praia Fluvial do Faial, em Prado, onde a CM de Vila Verde, com o apoio do Moto Clube do Prado montou o primeiro Oásis da etapa, com vista para a ponte românica mandada construir por Filipe I em 1615, e muitas vezes destruída pela violência do Cávado, antes de serem instaladas 8 barragens na sua bacia hidrográfica. E com o road-book a indicar o caminho de Panque, mais curvas, paralelo e estradinhas reviradas entre muitos campos agrícolas, obrigando a acrescido trabalho de condução. Mas que não intimidou a mais jovem condutora, Sofia Baqué, que aos 18 anos concretizou desejada estreia aos comandos depois de dois anos de experiênca à pendura do pai

Ciclistas e outros campeões de duas rodas

Verdura e muitos rios nesta fase inicial do 21.º Portugal de Lés-a-Lés, como o Neiva, de enorme beleza ao longos dos seus 45 km de extensão e onde existem duas pontes romanas e muitas outras seculares além mais de 150 engenhos, e que o pelotão haveria de atravessar por seis vezes. Até Tregosa onde os Moto Galos de Barcelos tinham preparado mais uma surpresa antes da parte decisiva na aproximação ao mar com a estreante passagem no concelho de Barroselas que tem a particularidade de ser presidida pelo ex-ciclista Rui Sousa, verdadeiro campeão de popularidade a pedir meças a Cândido Barbosa, participante habitual do Lés-a-Lés.

Mas seria Esposende a marcar a mudança de cenário na tirada inaugural da maratona mototurística, deixando para trás o Verde Minho e passando a ter o Atlântico como companhia, entrando no concelho por Forjães, S. Paio de Antas, terra do campeão Nacional de Velocidade em 1988 e 1991, Alex Laranjeira, e Vila Chã, vendo pela primeira vez o mar em Abelheira. E que vista! Deslumbrante! Aliás, não podia ser mais espetacular o primeiro contacto com o oceano, passando ainda por Marinhas rumo ao Oásis da CM de Esposende, fortemente apoiado pelo Grupo Motard da Guia, no espaço Pé no Rio. Onde a caravana pode apreciar a moto da equipa Suzuki Shell com que Laranjeira correu no Mundial de Endurance e que ganhou as 24 Horas de Spa-Francorchamps em 1999, tendo lutado pelo título mundial até à última prova da temporada. Máquina que, como muitas outras, pôde ser apreciada nas duas edições do Salão de Motos de Competição de Esposende que o próprio piloto quer continuar a organizar de forma entusiasmada.

Junto ao mar, sem peixe mas com... a nortada

Atravessado o Cávado, seguiu-se Fão e Ofir, os moinhos da Apúlia e o direito a entrar na lota e apreciar peixe fresco… apesar de ser segunda feira e ainda por cima feriado. Mau dia, dizem as varinas. Por isso, tempo apenas para mais umas fotos que o peixe por lá ficou, rumando a Vila do Conde de forma mais despachada, fugindo às belíssimas e pacatas estradinhas entre as veigas bem como à marginal da Póvoa de Varzim, ganhando assim tempo que a Figueira da Foz ainda estava longe. Das Caxinas, de fama assente na Seleção Nacional de futebol, sendo a freguesia que mais jogadores cedeu, de André a Bruno Alves, passando por Paulinho Santos, Hélder Postiga ou Fábio Coentrão, até à Marginal de Vila do Conde, com circuito onde brilharam nomes como Jorge Viegas, tendo o fundador da Federação de Motociclismo de Portugal e atual Presidente da Federação Internacional de Motociclismo aliás corrido por diversas ocasiões. Vedeta foi também a nau quinhentista, excecionalmente aberta pela CM de Vila do Conde para que os viajantes dos tempos modernos pudessem perceber como era difícil, trágico até, atravessar os mares na época dos Descobrimentos.

Atravessada a foz do Rio Ave, sob a vigilância do imponente Convento de Santa Clara, passagem pela Reserva Ornitológica do Mindelo, a primeira área protegida criada em Portugal, em 1957, seguindo-se por Leça da Palmeira, apreciando a original Piscina das Marés, desenha por Siza Vieira e Monumento Nacional desde 2011, ano em que foi inaugurado o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. Reforço importante para o turismo naquele que é o segundo maior porto artificial do País, acolhendo mais de 3000 navios e 14 milhões de toneladas de mercadorias por ano, a seguir ao de Sines, a visitar na última etapa deste Lés-a-Lés. Além da 4.ª maior ponte móvel do Mundo que, atravessando o Rio Leça, levou a caravana a Matosinhos, terra de pescadores e futebolistas, restaurantes especializados em peixe, surfistas, conservas e tudo o mais relacionado com o mar. Mais um saltinho e a entrada no Porto, junto à frente marítima do Parque da Cidade, o maior espaço verde do País em meio urbano, com 83 hectares de área, com 10 km de caminhos, vários lagos e pequenos bosques.

Da elegância da Foz à faina da Afurada

Sempre com o mar ao lado, travessia da elegante Avenida Brasil, entre o Castelo do Queijo e a Fortaleza de S. João da Foz, apreciando o local onde desagua o rio de maior caudal da Península Ibérica. O Douro, atravessado pela Ponte da Arrábida, criação genial de Edgar Cardoso que, em 1963, tinha o maior arco em betão armado a nível mundial. Repleta de turistas – que torna a visita à belíssima Ribeira quase impossível com tão pouco tempo… – rápida travessia para Vila Nova de Gaia através da Ponte Luís I, inaugurada em 1886, com passagem pelas ruelas estreitas e centenários armazéns de Vinho do Porto. Zona histórica de menos à vontade para... uma histórica. É que a Jawa 250 de 1952, a mais antiga moto presente no evento, «a menina dos olhos entre as várias clássicas lá por casa» que Hélder Alves trouxe pela 5.ª vez à maior maratona mototurística da Europa, não gosta de semáforos, para-arranca no trânsito ou subidas muito íngremes porque sobem-lhe logos uns calores à cabeça... do motor!

Sem vinho ou outras bebidas alcoólicas, naturalmente proibidas durante o evento, surpresa na chegada à Marina da Afurada, simpático e versátil espaço onde o conhecido concessionário Antero, dos Carvalhos proporcionou muito agradável Oásis, povoado por muitos ‘pescadores’ do Moto Clube do Porto. Mais divertidos e de estomago reconfortado, foi partindo o pelotão, ao longo de mais de 5 horas, pela marginal marítima, passando pelas praias da Madalena, Valadares, Francelos, Miramar e a curiosa Capela do Senhor da Pedra, erigida em 1686 dentro do mar, Aguda e o seu Parque das Dunas, criado em 1997 pelo Parque Biológico de Gaia, e Granja, local onde o casario evidencia a importância das famílias que ali passavam férias.

Mais eclética, a cidade de Espinho – onde, à imagem de Nova Iorque, as ruas não têm nomes mas sim números – foi contornada para evitar a estreita e apinhada marginal rumo à estrada florestal de Esmoriz, Maceda e Cortegaça, passando pela pista militar sem vislumbrar os bem escondidos hangares, enterrados no solo. No mais costeiro Lés-a-Lés de sempre, um dos ex-libris do evento apoiado pela BMW, BP, Dunlop, NEXX, Touratech e Agência Abreu, foi a Ria de Aveiro, estuário com 41 km de comprimento, juntando as águas dos rios Vouga, Antuã, Boco e Fontão. A grande biodiversidade tornam-na num local de imenso interesse ao longo de todo o ano, sendo possível apreciar flamingos no inverno, além de várias espécies de garças, guarda-rios e muitas aves limícolas. Mas há mais para ver, do Cais da Béstida ao de Pardelhas, passando por Mamaparda ou pela Cicloria, com descoberta através de bicicletas gratuitas proporcionadas pela CM da Murtosa. Que, por isso mesmo, aqui instalou um Oásis, no Cais do Bico, com apoio do Rancho Folclórico As Andorinhas de S. Silvestre, do Bunheiro e onde os Moto Clubes de Estarreja e Murtosa foram imprescindíveis na organização do estacionamento de tantas motos. E no controlo de mais um ponto de passagem, o 6.º dos 18 furos previstos na tarjeta comprovando a realização de todo o percurso entre Felgueiras e Lagos.

Retas e pinhais até ao prémio final

Passagem pela Murtosa, o concelho mais plano de Portugal, que prosseguiu pelos campos de Salreu e de Canelas, com caminhos a ladear esteiros, sombreados por salgueiros e carvalhos. Zona verde e plana onde foi possível ver as primeiras cegonha-branca deste Lés-a-Lés, abordando Aveiro de forma bem diferente da habitual e pouco interessante entrada pela A25, através de um caminho em terra pelas margens do Rio Vouga mas sem escapar ao aroma proveniente da fábrica da Portucel que anuncia a proximidade de Cacia. Que rapidamente foi deixado para trás, ganhando ar bem mais respirável ao chegar ao farol mais alto de Portugal, o da Costa Nova com os seus 62 metros de altura. Ali bem perto, em zona ampla e muito agradável, ainda antes da bonita e fotogénica povoação balnear do concelho de Ílhavo, onde os palheiros, armazéns de sal e de utensílios de pesca, deram origem a casas de habitação de cores fortes, espaço para o Oásis da NEXX, mostrando a completa e muito moderna gama de capacetes incluindo o best-seller X.Wed 2 e o novíssimo modular X.Vilitur. Para melhor refletir na aquisição de novo capacete, nada como a viagem pela Vagueira e Praia de Mira, com passagem pela sensível Lagoa de Mira, habitat de água doce, e por estradas florestais que são autêntica… desgraça. Do pior que se viu em muitos anos de Lés-a-Lés mas impossíveis de evitar. Obrigatório rolar muito devagar para evitar as muitas armadilhas de um asfalto mais que irregular emoldurados por pinheiros, muitos deles ardidos, e acácias, aconselhando a fuga pela também pouco interessante N109. Aconselhada, mas só a quem tinha tempo e fôlego, a escapa à praia de Palheiros da Tocha, no concelho de Cantanhede, com interessante arquitetura tradicional.

O maior e mais desejado areal

Já com a chegada à Figueira da Foz no pensamento, tempo para desfrutar das vistas de um dos areais mais longos de Portugal, com 53 km, do Rio Vouga ao Cabo Mondego, apenas interrompido ao de leve por algumas pequenas ribeiras. Que seria cenário da entrada na cidade que acolheu o final desta primeira etapa não fosse o facto desta estrada, macabramente conhecida como «enforca-cães» ter sido fechada ao trânsito poucas semanas antes. Que levou a organização, com apoio do Moto Clube de Coimbra, a optar pela Serra da Boa Viagem, obrigada a ‘inventar’ face à desolação lançada pelo Furacão Leslie, que a destruiu a 13 de outubro de 2018. Mas valeu pela paragem junto das «pimpinetes» ululantes do MC Coimbra e no Miradouro da Serra da Boa Viagem que, apesar dos apenas 261 metros de altitude, permite apreciar a Figueira da Foz, o Oceano Atlântico em toda a sua magnitude e o imenso areal de Buarcos. Derradeiras recordações de um dia muito exigente, para o físico como para as motos, efeitos minimizados pelos terapeutas e massagistas do Instituto de Medicina Tradicional e pelos mecânicos da equipa que acompanha a caravana do Lés-a-Lés. E com tudo preparada, nada como um bom descanso porque a 2.ª etapa, com 345 km até Arruda dos Vinhos promete mais emoções, com partidas desde as 6 horas para uma viagem que vai durar cerca de 10 horas e 20 minutos. E com passagem pela Praia de Vieira, S. Pedro de Muel (a partir das 7.00 horas), Nazaré (7.50 h), S. Martinho do Porto (9.00 h), praias de Porto Novo (11.00 h), de Santa Cruz (11.10 h), da Ericeira e das Maçãs (12.35 h). O Cabo da Roca (às 12.50 h) ou Cascais (13.50 h) são outros locais com paragem antes da travessia de Lisboa, entre a Marginal e a Expo, sempre junto ao rio Tejo, atravessando depois o rio Trancão em direção à Arruda dos Vinhos onde os primeiros começarão a chegar às 16.30 h.

Vendaval de emoções da Figueira da Foz até Arruda dos Vinhos passou em grande estilo por Lisboa

À descoberta do paraíso… do surf

Mar, mar e mais mar. Povo de aventureiros, de ousados navegantes prontos a ‘dar novos mundos ao Mundo’, os lusitanos voltaram a fazer história no mais ‘oceânico’ Portugal de Lés-a-Lés de sempre. Nunca, em 21 anos, a enorme e heterogénea caravana de 2115 motociclistas tinha andado tanto tempo junto à costa, descobrindo paisagens realmente ímpares. 'postais' que fizeram as delícias, também, dos mais de 200 participantes estrangeiros, vindos em grande número de Espanha, mas também de França, Itália, Suíça, Alemanha, Holanda, Ucrânia, Hungria, Grécia, Inglaterra, Bélgica, Croácia, e ainda de mais longe, desde os Estados Unidos, Canadá, Angola ou Moçambique. Prova que Portugal não só está na moda como há muito para descobrir… em duas rodas. Foi o caso da ligação entre a Figueira da Foz e Arruda dos Vinhos, ao longo de 345 quilómetros de paisagens fabulosas, saboreadas em animada solidariedade e com muita animação ao longo de descoberta que foi, também, gastronómica. Percurso muito interessante mas trabalhoso o que a Federação de Motociclismo de Portugal gizou em locais por onde nunca o Lés-a-Lés havia andado, para mostrar praias que são atração enorme para surfistas de todo o Mundo, e onde se pesca e come o melhor peixe. Afinal, dois importantes cartões de visita que ficam mais fáceis de conhecer de moto, como ficou provado num dia em que o Litoral, muitas vezes superpovoado e sem ordenamento, também pode ser simples e belo. E ventoso! Muito vento ao longo de praticamente toda a etapa mas que não fez 'voar' a animação do pelotão que, depois da paciência gasta na travessia do Grande Porto na véspera, queria mesmo era... andar de moto.

Animação que começou cedinho, com partida para a primeira das 907 equipas às 6 horas, continuando, a uma cadência de 6 motos por minuto, durante mais de 5 horas. Gigantesca caravana que aproveitou as estradas mais despachadas entre a Figueira da Foz e S. Pedro de Moel para 'despachar serviço' pela fresquinha, olhando de soslaio e com tristeza para os muitos pinheiros partidos pelo furacão Leslie, com rajadas de mais de 150 km/h, ou para os efeitos do incêndio que destruiu o Pinhal de Leiria. Mas que não tiveram tempo para apreciar condignamente as praias da Costa de Lavos, Leirosa e Osso da Baleia ou o Ecomuseu do Sal, propostas para um regresso a terras figueirenses em escapadinha de fim de semana porque o dia era curto para tudo conhecer. Locais onde resistem paraísos como a Lagoa da Ervideira, verdadeiro oásis entre hectares de pinhais ardidos. Mas era preciso ‘dar da perna’ passando ao lado, mas em ritmo de passeio que permitiu apreciar o Farol do Penedo da Saudade, um dos muitos encontrados em ano de viagem junto ao mar, ou areal até S. Pedro de Moel. Onde foi descoberto outro Oásis, montado pela Câmara Municipal com o apoio do Moto Clube da Marinha Grande, com tempo para visita à interessante Casa-Museu Afonso Lopes Vieira.

De barriga mais composta, tempo para continuar até Nazaré, ancestral vila piscatória que as ondas gigantes da Praia do Norte, formadas pelo canhão submarino e aclamadas aos sete ventos por Garret McNamara, puseram nas bocas do mundo. E onde não faltou a visita a um interessante museu dedicado, pois claro, às Ondas Gigantes, além de um Porto de Abrigo construído no início dos anos 80 do século passado para abrigar em segurança os marinheiros e que agora ganhou outra expressão com a chegada dos barcos de recreio. Espaço eclético que serviu para acolher os motociclistas em mais um Oásis, organizado pela Yamaha e onde não faltou a novíssima Ténéré 700 que, de tanta curiosidade despertada, quase fazia esquecer o lanche preparado. Pequenas refeições, ligeiras e sempre com águas ou sumos, porque um almoço, pesado, a meio do dia iria ditar significativa quebra de ritmo, desperdiçando-se o intuito de descobrir o máximo de Portugal em tão pouco tempo. Tempo e leveza (do estômago) que se agradeceu na subida da Serra da Pescaria, onde o vento começou a soprar com mais intensidade, ou em direção a S. Martinho do Porto, cuja baía vista do alto da serra revela uma perfeita forma circular. ‘Milagres’ da natureza…

Do Oeste à capital, 'guardados' pela majestosa serra de Sintra

Mapa de belezas naturais que não parou de surpreender, voltando ‘a fazer das suas’ em Salir do Porto onde a autarquia das Caldas da Rainha fez questão de em receber os visitantes em grande estilo e com o apoio do Moto Clube do Porto, antes da visita à Foz do Arelho (com direito a ver, ao longe, as Berlengas) e à Lagoa de Óbidos, o mais extenso sistema lagunar da costa portuguesa, com cerca de 7 km quadrados. Seguiu-se Caldas da Rainha, onde curiosamente se faz a única feira diária de legumes e outras verduras em Portugal; um olhar à distância sobre a bela fortaleza de Óbidos, com convite para descoberta mais demorada para os atempados, passagem pelas vinhas e pomares a caminho do Bombarral – terra de boa pera e curvas excelentes na N8, bem aproveitadas por Joaquim Horta, o actor que depois de tanto ouvir falar do Lés-a-Lés não foi capaz de recusar o convite e alinhar à partida de «uma aventura fabulosa, divertida e onde se descobrem inúmeros locais de grande beleza, verdadeiros tesouros bem guardados do nosso País».

E de novo o mar, na praia de Porto Novo, depois da passagem pelo Vimeiro e do rio Alcabrichel, conduzindo num vale, fechado ao trânsito mas aberto para as motos do Lés-a-Lés, onde a vegetação autóctone garante cenário paradisíaco e de enorme frescura. Tudo porque o dia era de surf, dos melhores spots nacionais, e por isso, paragem ‘obrigatória’ na praia de Santa Cruz, onde a BP deu outro colorido à paisagem com novo e já tradicional Oásis, mas também em Ribeira de Ilhas ou na Ericeira, cujas características naturais valeram título de Reserva Mundial de Surf, a única na Europa das 6 que existem a nível mundial, com as outras situadas na costa Oeste americana e na Austrália. Apreciar o mar, mais sereno que o habitual por estas bandas, foi tarefa prazenteira na ligação até Sintra, com descida ao Rio Lizando e à Praia de São Julião antes da prazenteira e pitoresca estrada através de São João das Lampas, a inimitável vista sobre Azenhas do Mar, a Praia das Maçãs e as casas de uma arquitectura de marcado bom gosto ou a linha de elétrico que leva os veraneantes e turistas desde Sintra.

Momento alto, para muitos que só conheciam o Cabo da Roca de ouvido, a passagem pelo ponto mais ocidental da Europa Continental revelou o porquê da fama que concentra milhares de motociclistas todos os domingos desde há muitos anos. Além da beleza natural da zona do local onde, como escreveu Camões «a terra acaba e o mar começa», animação acrescida graças a de um dos mais antigos clubes nacionais e um dos criadores do Lés-a-Lés em 1999, o MC Motards do Ocidente que levou rebanho e pastores, bruxas e até a Virgem Maria, entre muitas figuras que mereceram fotografias dos participantes como das centenas de turistas que por ali andavam de máquinas e telemóveis em punho. Já com o diploma que atesta a presença na pontinha ocidental da Europa continental, muitos curvas de excelente recorte, já dentro do Parque Natural Sintra Cascais, rumo à vila que é a mais famosa estância balnear da zona de Lisboa não sem antes passar pelo sempre ventoso Guincho. Tempo para descobrir ou recordar as deliciosas curvas que fazem as delícias dos milhares de motociclistas que se juntam no afamado ponto de encontro domingueiro, rumando à Arruda dos Vinhos num trajeto urbano, pois claro, mas surpreendentemente verde, com troços oxigenantes e uma marginal, entre Cascais e Lisboa que, sem o trânsito que a torna tristemente famosa, pôde ser apreciada com outros olhos. O vento, sempre presente, ajudou a refrescar a extensa caravana de mais de 1900 motos, e, para aqueles que optaram pela paragem em sítio que nem sempre é fácil estacionar, tornou ainda mais impressionantes as vistas sobre a Boca do Inferno, com impressionante ruído oriundo das grutas causadas pela erosão das rochas carbonatas que formam esta costa.

Lisboa como nunca foi vista... de moto

Lisboa estava perto mas antes paragem em local nobre de Cascais, no Oásis Via Verde - porquê parar se pode ter a Via Verde ?!... - onde a originalidade voltou a marcar pontos, e a passagem pelo Estoril, terra de palácios, casinos, grandes hóteis, um autódromo, campos de golfe e muito mais. E que tem, também, uma belíssima estrada marginal, a N6 em ligação até à capital, apreciada de forma tranquila, vendo praias e faróis, fortes e restaurantes famosos. E muitos pormenores que, não raras vezes, passam despercebidos mesmo a quem aqui rola diariamente. Já dentro de Lisboa, passagem pelo Estádio Nacional, em Oeiras, pelo Aquário Vasco da Gama, mandado construir pelo Rei D. Carlos, e pela Torre de Belém, construída em 1520 com o nome de Torre de S. Vicente, antes da paragem em agradável Oásis Honda, com a Ponte 25 de Abril, como pano de fundo. Tempo para respirar fundo antes de enfrentar o trânsito da maior cidade portuguesa e ainda mais complicado com a massificação do turismo, dos 'tuk-tuk' aos autocarros e mini-vans privados, passando por Alcântara, Cais do Sodré, Zona das Naus, gira mas com muito mau piso. Ou a estreia absoluta com um olhar da caravana do Portugal de Lés-a-Lés sobre o Terreiro do Paço, uma das maiores praças da Europa, com 3,6 hectares. 'Aberto' ao Tejo pelo Cais das Colunas, ganhou assim mais um registo histórico o local onde D. Carlos foi assassinado, onde Miguel de Vasconcelos foi atirado de uma janela no fim da União Ibérica, ou onde Fernando Pessoa parava para o café da praxe no Martinho da Arcada. Mais moderno, com outra arrumação urbanística, o Parque das Nações, nascido para a Expo 98, revelou uma Lisboa diferente, onde brilha a Estação do Oriente, obra do arquiteto Santiago Calatrava, que continua a fascinar portugueses e estrangeiros.

Com a passagem sobre o rio Trancão, nova mudança de enquadramento paisagístico, com passagem por Sacavém antes da entrada em Bucelas, chegando finalmente ao concelho da Arruda dos Vinhos. Onde a primeira função passou pela ajuda à defesa dos exércitos napoleónicos, com subida, em piso de terra, ao muito maltratado Forte da Carvalha. Uma das muitas fortificações, de planta em estrela e que tinha uma guarnição de 400 homens, que compunham as Linhas de Torres, erigidas no início do século XIX para defender a capital perante a pretensões invasivas napoleónicas. Espírito combativo mostrado pelos elementos do Moto Clube da Arruda dos Vinhos que nem precisaram de recorrer à eficiente forma de comunicação daqueles tempos, passando rapidamente mensagens entre Torres Vedras e Lisboa através de bandeiras. Bastaram dois dedos de conversa, em jeito de preparação para a festa montada no final da 2.ª etapa, onde não faltou a presença dos Rock em Stock, uma banda de Almada especializada em 'covers' de rock português, uma interessante exposição de motos clássicas além de equipamentos e acessórios para máquinas e condutores. E antes do jantar, tempo para pequenas reparações nas motos, mecânicas ou de pneus, com a presença da Dunlop, mas também para tratar do corpo, com apoio de terapeutas, osteopatas, técnicos de acupuntura e massagistas do Instituto de Medicina Tradicional.

E com tudo preparado, nada como um bom descanso porque a 3.ª etapa, com 466 km até Lagos, apesar de mais rolante através da costa alentejana e vicentina, promete mais emoções, com partidas desde as 5.30 horas da madrugada para uma viagem que vai durar cerca de 10 horas e 20 minutos. A começar pela travessia do Rio Tejo em Vila Franca de Xira (a partir das 6 horas), a paragem em Santo Estevão (6.50 h), terra do MC Almansor, grandes animadores do Lés-a-Lés aos comandos das eternas cinquentinhas, Alcácer do Sal (8 h) ou o cais palafítico da Carrasqueira (8.40 h). Depois, Melides e a sua lagoa, Santo André rumo ao forte de Sines (9.55 h), Porto Covo e Ilha do Pessegueiro até Vila Nova de Milfontes (11.15 h). Na Zambujeira do Mar, a partir do meio-dia, a Touratech vais mostrar enorme surpresa gastronómica no seu Oásis, antes de Odeceixe, Carrapateira e Vila do Bispo com paragem no Forte de Beliche (14.25 h). Depois, remate final até Lagos, com passagem por praias de enorme beleza, como Beliche, Sagres, Ingrina, Zavial, Burgau ou Luz antes da festa final que tem início marcado para as 16.30 horas e de prolongará noite dentro, com música, fogo de artifício e muita animação.

Marinheiros, motociclistas e outros aventureiros concluíram em festa o mais costeiro Portugal de Lés-a-Lés de sempre

Sucesso à beira-mar plantado

Ambiente de enorme festa na chegada a Lagos foi prova evidente do sucesso da 21.ª edição do Portugal de Lés-Lés, o mais próximo de sempre do Oceano Atlântico, em aventura de recordação e homenagem a povo de forte pendor marítimo. Dos marinheiros que deram novos mundos ao Mundo aos pescadores, dos surfistas bronzeados às peixeiras de pele tisnada pela inclemência do sol e sal, de todos se falou ao longo das 71 páginas do 'road-book' que indicou o caminho de 1225 quilómetros entre Felgueiras e Lagos, com paragens na Figueira da Foz e Arruda dos Vinhos. Festa gigantesca, com mais de 2100 motociclistas em 1900 motos naquela que reforçou estatuto de maior maratona mototurística da Europa. E, quiçá, do Mundo! Pelo menos a julgar pela crescente adesão internacional a caravana que, em 2019, contou mais de duas centenas de estrangeiros, da vasta comitiva espanhola representando quase 10 por cento do pelotão, até participantes norte-americanos, canadianos, angolanos, ucranianos, alemães, holandeses, moçambicanos, húngaros, suiços, ingleses, franceses, italianos, gregos, croatas e belgas.

Aposta claramente ganha pela Federação de Motociclismo de Portugal que «apesar de saber de antemão as dificuldades acrescidas que a decisão de realizar o Lés-a-Lés em dias da semana iria criar, tanto mais que atravessou zonas densamente povoadas, provou-se que era possível fazê-lo. E com sucesso». Para António Manuel Francisco, presidente da Comissão de Mototurismo da FMP, «esta foi mesmo a hipótese mais viável de concretizar um desejo antigo de atravessar o País o mais junto possível à costa. Não foi fácil porque implicava atravessar as duas maiores cidades do País e muitas zonas balneares, mas era uma experiência que a FMP queria oferecer aos participantes». Quatro dias de características bem diferenciadas, da verdura do Minho no Passeio de Abertura e no arranque da primeira etapa, à travessia complicada do Grande Porto no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ao mais recôndito Algarve passando bem perto de algumas das mais belas praias da Costa Alentejana e Vicentina. E sempre com monumentos históricos e outros pontos de interesse a juntar a paisagens de beleza ímpar.

Sob o signo da água. E do vento!

Na terceira etapa, que haveria de levar a caravana até Lagos, 466 quilómetros de extensão obrigaram a saída madrugadora de Arruda dos Vinhos, com sereno serpentear entre casas para fugir ao trânsito das estradas mais usuais. E se as primeiras equipas a partir puderam apreciar o espetáculo do sol que começava a subir no horizonte, gozando vista privilegiada sobre a lezíria e o Tejo, já os que passaram mais tarde pelo pórtico de saída foram bafejados com... temperaturas mais agradáveis face à frescura que se fazia sentir às 5.30 h. da manhã. Depois do verdadeiro carrossel até Vila Franca de Xira, e da rápida 'fuga' através da Ponte Marechal Carmona, seguiram-se as menos interessantes retas em redor do delta do Tejo, aproveitando a Nacional 10 para encurtar a viagem. Tempo, ainda assim, para apreciar outras cores com a volta ao estuário através de campos, rumo a Santo Estevão onde nem um original sinal de trânsito, com placa indicando o caminho do Lés-a-Lés montado sobre uma antiga motorizada de origem nacional, impediu o engano de muitos apressados. Sobretudo daqueles que não sabem desfrutar a grande aventura com serenidade, ou dos que... ainda estavam a dormir. Mas todos acabaram por encontrar o espaço onde o MC Almansor e o rancho folclórico de Benavente montaram espetacular Oásis e onde todos demoraram bem mais do que os 15 minutos previstos e aconselhados no 'road-book'. E todos desfrutaram de uma rápida e divertida iniciação à arte do toureio, abrindo o apetite para verdadeiro festival gastronómico onde nem faltou completo cardápio de doçaria caseira, feita pelas senhoras da terra, felizes de acolher a caravana. E que bem se esteve em St. Estevão!

Depois as entediantes retas da N10 e IC1, mal necessário para mais rapidamente chegar à beira-mar, entrecortadas pela magnificência da paisagem apreciada desde o castelo de Alcácer do Sal, rolando ao longo da muralha com paragem junto ao rio para original prova de azeite. Mais retas rumo à Comporta, passando junto ao Parque Natural do Estuário do Sado, com paragem no Cais Palafitico. Onde o divertido controlo montado pelo Moto Clube do Porto assentava em bem apicantados motivos de pesca e do berbigão. Ou não estivéssemos em terra de pescadores.

Mais vias rápidas até Sines porque Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro estavam à espera, mas não sem antes visitar o Castelo acedendo a simpático convite da autarquia. Que até disponibilizou o espaço interior da fortaleza para aparcar as motos! Já em Porto Covo, obrigatório molhar os pés para merecer o furo na tarjeta que garantia a passagem no posto do Moto Clube do Coimbra. Praia das Furnas ou o Cabo Sardão foram os pontos seguintes no mapa desta travessia costeira, antes da paragem na Zambujeira do Mar. A mais famosa terra dos festivais de verão tornou-se no palco mais desejado da hora de almoço graças à feliz associação entre a Longitude 009 e o chef Chakall, com propostas gourmet, de requintada cozinha, no Oasis Touratech. Que, diga-se, muitos comentários de regozijo motivaram numa altura em que se cumpriam os últimos quilómetros no Alentejo.

Entrada no Algarve com visita 'obrigatória' a Odeceixe onde a temperatura já mais elevada, convidava a um mergulho, até porque as ondas de mar muito 'flat' apesar do vento intenso que teimava em não largar a caravana, impedia as mais radicais manobras surfistas. E num final com intenso sabor a Lés-a-Lés, de estradinha desertas, estreitas e cheias de curvinhas, rodeadas da vegetação rasteira que consegue sobreviver ao vento agreste que as fustiga, tempo até para algumas passagens em terra e areia. Claro que, pelo caminho, não podia perder-se tamanha oportunidade de regressar ao canto mais sudoeste da Europa, com controlo final no farol da Ponta da Piedade, no Cabo de S. Vicente, onde até um renascido Gil Eanes se associou ao MC Lagos em tão importante tarefa. Afinal, era o último dos 18 furos efetuados na tarjeta de plástico que atesta o cumprimento, na íntegra, do percurso que levou heterogénea e colorida caravana desde Felgueiras até Lagos. De onde, já se pode adiantar, partirá a edição de 2020...

4º Portugal de Lés-a-Lés Offroad (2018)
Macedo de Cavaleiros - Castelo Branco - Reguengos de Monsaraz - Albufeira
De 26 a 29 de Setembro de 2018

Forte presença da Honda e da KTM trouxeram ainda mais cor ao Lés-a-Lés Off-Road 2018. Marcas com envolvimento oficial no evento e que tudo fizeram para apoiar os participantes na grande aventura. Com atrativos reforçados a cada ano que passa, o Portugal de Lés-a-Lés Off-Road chegou à 4.ª edição consolidando posição de maior aventura mototurística nacional em fora-de-estrada fazendo inveja às maiores competições do Mundo, incluindo ao Rali Dakar. Caso da presença KTM nas partidas e chegadas das três etapas, bem como em diversos ‘Oásis’ existentes pelo caminho, com o camião que a Jetmar, importador nacional da marca austríaca, levou às últimas edições do Dakar. Estreia também para o Parque Fechado Seguro que facilitou a logística e o descanso de todos os participantes.

REPORTAGEM

Portugal de Lés-a-Lés Off-Road ligou Macedo de Cavaleiros a Castelo Branco sempre rodeado de verdes paisagens

Aventura começou nas florestas a Norte e deixou árvores e sorrisos nas escolas

O calor e, sobretudo, o pó, muito pó que é resultado do tempo quente e seco dos últimos meses, foram contratempo menor para os 350 mototuristas que saíram de Macedo de Cavaleiros, madrugada cedo, à descoberta de Portugal de Lés-a-Lés em Off-Road. Mas os participantes da 4.ª edição do evento turístico organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal não perderam, ainda assim, o ensejo de apreciar paisagens soberbas, onde a natureza resiste em tons de verde. E até Castelo Branco, ao longo da primeira etapa da aventura, tempo para apreciar a frescura de vários carvalhais, soutos e outras espécies autóctones que vão resistindo como podem à massificação das invasoras, com o eucalipto em destacada liderança graças aos proventos económicos. Atenção reforçada pelos mototuristas e pela FMP à mais correta reflorestação, a mais vantajosa para as populações, através da campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, levando árvores autóctones aos mais miúdos de cada uma das cidades que acolhe os finais de etapa, juntamente com banda desenhada explicativa das vantagens destas espécies.

Pensamento que hoje ficará gravado na cabeça dos petizes da Escola Básica de Alcains, em Castelo de Branco (10.30 h) e Jardim de Infância da Caridade, em Reguengos de Monsaraz (14.30 h) que plantarão sobreiros nos seus recreios, como nos dos aventureiros que começarão a sair bem cedo do centro albicastrense rumo a Reguengos, para 274 quilómetros de aventura, descoberta e diversão. À espera, seguramente, de uma etapa pelo menos tão agradável como a primeira, com momentos de deleite paisagístico e de condução ao longo dos estradões no alto da serra de Bornes, rodeados de castanheiro como o que ontem foi plantado, com o apoio da Bosch Termotecnologia, no Polo 1 do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros, antes de começar a descer para o rio Sabor. E sempre com vistas soberbas sobre o fértil vale, através de estrada (M611) que merece uma visita especial por todos os que gostam de conduzir, sem nada a temer na comparação com estradas míticas como a Transfagarasan, Stelvio ou Grossglockner.

Momentos de condução ímpares que continuaram em direção a Torre de Moncorvo, com algumas nuvens a amenizar o calor anunciando – ainda assim os termómetros passaram dos 30 graus! –, seguindo-se descida para a travessia do Douro na barragem do Pocinho. Onde o primeiro Oásis, a cargo da KTM, ajudou a matar a sede e reconfortar o estômago para mais umas horas de condução. Com passagem por Foz Côa, variando entre os primeiros vinhedos durienses e várias árvores de fruta e as sempre presentes oliveiras, vistos ora da estrada, ora de bem perto, atravessando alguns caminhos de terra bem no meio. E onde nem faltaram os primeiros aromas a uvas maduras, sinal da proximidade do arranque da estação das vindimas e o reforço alimentar e da sempre agradecida água, no Oásis criado pela Honda. Sempre com muita serra no horizonte, passagem pela Guarda com a sempre impressionante vista do maciço montanhoso da Estrela, e depois até Castelo Branco, sempre com interessantes caminhos fora de estrada, em surpreendente contacto com as populações dos mais recônditos lugarejos.

Mais de 300 motociclistas em aventura na travessia de Portugal de Lés-a-Lés ajudam a reflorestar centro do País

Alentejo de todas as paixões em off-road

De Castelo Branco a Reguengos de Monsaraz foram quase 300 os quilómetros percorridos pelos 350 mototuristas que participam no 4.º Portugal de Lés-a-Lés, levando na bagagem desejos de descoberta, muita animação e… árvores para reflorestar o País, de Norte a Sul. No maior evento mototurístico da Europa em fora de estrada, atraindo também motociclistas de Espanha (muitos!), França, Suíça, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Inglaterra, tempo para reavivar a iniciativa lançada pela Federação de Motociclismo de Portugal em 2017, altura em que levou milhares de árvores autóctones às populações mais flageladas pelos incêndios. Agora, a preocupação maior passa por sensibilizar crianças dos concelhos atravessados pelo evento turístico, plantando sobreiros nos recreios das escolas e oferecendo árvores para que os petizes possam ver crescer nos seus terrenos. Espécies autóctones, pois claro, que são acompanhadas por banda desenhada para que os mais novos reconheçam as vantagens de proteger a floresta nacional.

Algo que a caravana pôde apreciar na ligação desde Castelo Branco, deixando para trás o muito pó que o tempo quente e seco exponencia nos eucaliptais para, já depois da travessia do rio Tejo, em Vila Velha do Ródão, começar a ver outras espécies, nomeadamente as oliveiras, sobreiros e azinheiras predominantes nas paisagens alentejanas. O bom piso que acolheu os aventureiros até Castelo de Vide, aumentou o prazer de condução e ajudou a suportar melhor a temperatura que teimava em não baixar dos 30 graus. Valeu a frescura do Parque João José da Luz onde o Oásis montado pela KTM reforçou ares aventureiros, com camião de assistência do Rali Dakar e onde foi possível limpar pó do capacete e óculos com ar comprimido. Como se fossem pilotos profissionais…

Preparação para saída espectacular da “Sintra do Alentejo” através do Parque Natural da Serra de S. Mamede, com subida rumo ao alto da Nossa Senhora da Penha de onde é possível desfrutar de vistas fabulosas sobre a planície alentejana e aproveitar as boas estradas na viagem até Portalegre. Passagem pela cidade com maior historial TT em Portugal, deixando para trás as serras, passando o pelotão a apreciar os montes... alentejanos. Estradões, ora mais rápidos ora mais técnicos, por entre centenários sobreiros, e em melhor estado de conservação que algumas estradas municipais atravessadas, como a M1150 que, com tantos buracos e saltos, mais parecia pista de motocrosse. À atenção dos autarcas e entidades responsáveis. Tempo também para as longas retas alentejanas, em bom asfalto e com as tradicionais lombas, alternando com as típicas pistas das bajas alentejanas, até Monforte. Panorama que se manteve até São Romão de Ciladas, onde a Honda instalou mais um agradável Oásis para ajudar a combater o calor e o pó. E reforçar o ânimo para o troço final da etapa, até Reguengos de Monsaraz, onde se chegaria depois de rápida passagem pelo importante castelo de onde é possível apreciar parte do grande lago do Alqueva. Depois, curta deslocação até àquela que desde 1838 é sede de concelho, Reguengos de Monsaraz, onde os terapeutas do IMT, Instituto de Medicina Tradicional trataram de algumas pequenas lesões e proporcionaram massagens aos participantes. Preparação para a última tirada do 4.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, que vai levar, no sábado, a caravana até Albufeira, onde serão entregues as últimas centenas de árvores a quem aparecer no Jardim dos Pescadores durante a tarde. Isto depois de na véspera terem sido partilhadas com petizes da Escola Básica de Alcains, em Castelo de Branco, e do Jardim de Infância da Caridade, em Reguengos de Monsaraz. Onde o presidente da Câmara Municipal, José Calixto ajudou a plantar o sobreiro e sublinhou a importância da escolha pelas árvores da região para continuar a reflorestar Portugal de Lés-a-Lés.

Albufeira recebeu 350 mototuristas que atravessaram Portugal de Lés-a-Lés em todo-o-terreno

Praias algarvias como prémio de aventura

Prémio merecido depois da intensa canícula e muito pó durante o 4.º Portugal de Lés-a-Lés Off Road, o mergulho nas praias de Albufeira foi tónico retemperador para os 350 mototuristas que, ao longo de 3 dias, descobriram o interior do País, desde Macedo de Cavaleiros e maioritariamente por caminhos de terra batida, estradões e outros trilhos. Afinal o calor que tanto massacrou o pelotão durante os 900 quilómetros desde o nordeste transmontano, com paragens em Castelo Branco e Reguengos de Monsaraz, não podia ter só coisas más e justificou plenamente o peso dos calções de banho na bagagem.

Com a miragem do Algarve a servir de estímulo adicional para a última etapa, a serena saída da cidade reguenguense foi acompanhada pela frescura matinal e menos pó do que esperado, até pela humidade nas proximidades da maior lago artificial da Europa. Nascer do dia com paisagens de enorme beleza sublinhada pela luz madrugadora e aromas inconfundíveis do Alentejo na passagem pelo Alqueva, criando vontade de rolar tranquilamente, para desfrutar ao máximo e não interromper o silêncio que ainda se fazia ouvir...

Numa edição bem mais verde do que a de 2017, tempo para atravessar extensos olivais de cultura intensiva e ainda para inusitado desvio, mesmo antes de Cabeça Gorda, com cavalos à solta a obrigarem a improviso de percurso. Nada que atrapalhasse as gentes do off-road que, rapidamente , descobriram o melhor caminho para chegar sem demora maior ao Oásis da KTM em paragem por todos aproveitada para recuperar energias. Dos ex-campeões nacionais de Enduro e Todo-o-Terreno aos estreantes na aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal, de António Oliveira, Pedro Belchior, Bernardo Villar, Rodrigo Amaral, Luís Ferreira, Miguel Farrajota ou Rodrigo Sampaio ao grande grupo internacional, com o pelotão espanhol à cabeça.

Com a chegada das planuras alentejanas mudou também o perfil das pistas, mais técnicas em paisagem ondulante criadora de sentimento de tranquilidade que só o Alentejo consegue oferecer. O passar dos dias e o natural acumular de cansaço ao longo dos quilómetros, também ditou ritmos mais moderados, poupando energias para a Serra do Caldeirão, de condução prazenteira para todas as moto, com curvas bem desenhadas, até ao Oásis Honda. Onde, de forma condizente com a povoação mais próxima (Felizes) os participantes foram brindados com cachorros quentes e bolas de Berlim, gelatina e fruta, preparando a caravana para os 50 quilómetros final. E ajudando a minimizar os ‘estragos’ de um dia que viu a temperatura subir até aos 35 graus na passagem por Castro Verde.

Descidas e subidas, em pisos que confirmam o acerto da escolha desta região para os Seis Dias de Enduro de Veteranos, em 2019, incluindo inclinação realmente íngreme e em pedra solta, desaconselhada aos menos experientes ou mais ciosos da conservação das suas motos. Já com aroma salgado do mar, aproximação através de surpreendentes caminhos rurais, por entre hortas e pomares, até chegar ao Algarve turístico na Praia dos Pescadores. Onde, além de grande festa, houve tempo para entregar as últimas centenas de árvores autóctones no âmbito da campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés. Que levou árvores e banda desenhada aos mais pequenos dos concelhos atravessados, reforçando a importância social do maior evento mototurístico em fora de estrada realizado na Europa.